Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 04/09/2021

O documentário “Absorvendo o Tabu”, apresenta a precária vida menstrual que as mulheres indianas estão inseridas e os graves malefícios que tal vida pode proporcionar. Apesar deste curta metragem ser uma obra cinematográfica, ele relata um ambiente vivido por uma parcela de brasileiras, uma vez que estas, gradualmente, estão sujeitas a sofrerem com a pobreza menstrual — assim como as mulheres indianas — e, consequentemente, gerando um transtorno no sistema de saúde público. Nesse sentido, para entender as melhores formas de combater a falta de acesso a itens menstruais básicos, é imprescindível ir até as raízes do problema.

A princípio, o silenciamento escolar acerca das objeções que a pobreza menstrual gera é uma das principais responsáveis por esse cenário. Conforme decorreu no século XVII, ou século das luzes, o Iluminismo tornou-se um veículo de informações para difundir seus ideais entre a população e acarretar na queda do absolutismo. Desse modo, a escola tem como dever nato disseminar conhecimentos — exatamente como os iluministas fizeram — a respeito da preparação do corpo feminino que entrará em processo reprodutivo e o que será necessário dispor no decorrer desse ciclo biológico, a fim de fazer com que todos reconheçam que, de fato, existe a carência da higiene vital e da negligência estatal para com a saúde das mulheres no país. Logo, visto que a carestia de uma clara educação impede a nação de conhecer a seriedade das patologias que o descuido para com a menstruação provoca, há o comprometimento da realização de algum tratamento que mudará esse quadro.

Outrossim, nota-se que a inexistência de recursos financeiros faz-se ser um proveniente dificultador dessa circunstância. Sob a ótica do estudo “Uma Teoria da Justiça”, do filósofo John Rawls, um governo ético é aquele que disponibiliza recursos financeiros a todos os setores, para promover a igualdade e a vida digna aos cidadãos. Dessa forma, com o crescimento desordenado das cidades, o Estado passa a garantir capitais para outros setores sociais — contrariando os ideais de John Rawls — e a ignorar a realidade que foi inserta para as mulheres do corpo social. Destarte, esta insensatez colabora para a disseminação de doenças, fomentada pela abjunção de absorventes e água corrente. Diante disso, enquanto houver a separação desigual do capital, tal problema crônico irá perdurar.

Portanto, medidas são necessárias para resolver a problemática discutida. Urge a ação de políticas públicas, por meio de verbas governamentais, realizada pelo Ministério da Saúde, com o intuito de distribuir absorventes em postos de saúde, dado que tal ação irá contribuir para o restabelecimento da integridade das mulheres e interromper a proliferação de infecções entre elas. Espera-se que, com isso, “Absorvendo o Tabu” seja apenas um passado histórico social.