Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 06/09/2021
Na obra “Utopia” do escritor inglês Thomas More é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos. No entanto, a pobreza menstrual no Brasil dificulta a realização dos planos de More. Esse cenário é fruto da negligência estatal e da falta de conscientização popular.
Inicialmente, é notável que a negligência estatal é fator determinante para a continuidade da problemática. Nesse sentido, a Constituição Federal de 1988 prevê o direito à saúde e ao bem estar social. Entretanto, a persistência da precariedade no oferecimento de cuidados, fere a legislação e demonsta a incapacidade estatal de cumprir os direitos base da carta magna. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Outrossim, o livro “Ensaio sobre a cegueira” discorre sobre a sociedade como um ambiente adaptativo e que a cegueira moral é o pior tipo, pois faz negar os problemas e a impede de fazer questionamentos. Nesse viés, a sociedade que se nega a encarar a realidade perpetua o imbróglio e só amplia o número de pessoas afetadas. Tudo isso agrava esse quadro deletério e impede o desenvolvimento da nação.
Infere-se, portanto que medidas são necessárias para acabar com a pobreza menstrual no Brasil. Assim, o Ministério da Saúde deve desenvolver iniciativas de distribuição e arrecadação dos itens de higiene pessoal, juntamente com o Ministério da Infraestrutura que por sua vez deve ampliar a distribuição de saneamento básico para a população mais carente. Além do Ministério da Educação que por meio de modificações na BNCC, deve promover a discussão nos ambientes escolares sobre a importância e a normalização da menstruação, a fim de alcançar uma situação de auxílio a todas as mulheres. Somente assim a coletividade alcançará a Utopia de More.