Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 29/08/2021

Com o advento da modernidade no país, a criação de inúmeras tecnologias para o benefício da população foi crescente, principalmente relacionadas à higiene pessoal, uma vez que os cuidados íntimos eram precarizados. Nesse ínterim, hodiernamente, mesmo com o maior acesso aos produtos higiênicos, a pobreza menstrual ainda faz parte da realidade de mulheres vítimas do descaso estatal e da disparidade no tratamento regional, fatos que perpetuam os desafios enfrentados para a ampla democratização de uma higiene adequada.

Emprimeira análise, é indiscutível que a displicência governamental é uma das causas do ptoblema em questão. Tal fato se opõe ao pensamento do filósofo Thomas Hobbes, segundo o qual a função primordial do estado é garantir os direitos fundamentais para cada cidadão, como os meios necessários para a viabilização da manutenção da higiene pessoal. Nesse sentido, em locais mais humildes, a naão disponibilização de kits de higiene, os quais ofereçam absorventes íntimos ao gênero feminino, é a principal responsável pela baixa qualidade de vida desse meio social, além de prejudicar a rotina de mulheres que, quando menstruadas, encontram-se impossibilitadas de trabalhar, estudar ou realizar qualquer outra atividade fora de casa sem passar por eventuais constrangimentos.

Outrossim, evidenciam-se as diferenças econômicas entre regiões influenciando na higiene da população. Isso se relaciona ao conceito de Região Concentrada, formulado pelo geógrafo Milton Santos para descrever a concentração de investimentos e tecnologias nas Regiões Sul e Sudeste, em oposição ao estado de miséria ao qual boa parte dos locais das Regiões Norte e Nordeste enfrentam. Nesse viés, nas localidades as quais sofrem com uma hierarquia regional, não possuindo uma estrutura digna para viver com qualidade, o número de mulheres desprovidas de uma renda suficiente para o cuidado pessoal é significativamente maior, o que corrobora a pobreza menstrual em pleno século XXI.

Entende-se, potanto, a necessidade de mudanças substanciais no quadro em questão. A fim de atenuar a problemática, o Governo Federal deve instaurar investimentos direcionados à melhoria na qualidade de vida da população moradora de locais com baixo acesso aos produtos básicos da higiene íntima e a um suprimento de água limpa, por meio da realização de projetos os quais supram as demandas com o fornecimento gratuito de utensílios essenciais, como absorventes íntimos às mulheres , assim como a construção de estações de tratamento de água próximas a esses locais, para que o cuidado pessoal desses grupos seja garantido, principalmente ligado ao público feminino. Ademais, o destino de maiores investimentos aos territórios desprezados do Brasil é essencial para a universalização das ferramentes fucrais para o cuidado humano e para o combate à pobreza menstrual.