Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 04/03/2022

O documentário “Pandora’s box” retrata histórias de mulheres que são forçadas a abandonar os estudos por não terem acesso à suprimentos básicos no período menstrual. Analogamente, a pobreza menstrual, como é nomeada a falta de produtos de higiene menstrual, está presente na vida de diversas mulheres no Brasil, aprimorada pela questão financeira atrilhada ao tabu da sociedade brasileira e à  saúde física e mental, sendo caso de saúde pública.

Em primeira análise é importante ressaltar que a menstruação é um fator da biologia feminina , mas ainda é considerado um tabu na sociedade brasileira.Por exemplo, produtos de higiene, como absorventes, são taxados como itens de cosméticos, ao invés de iténs básicos, inviabilizando o acesso a tais produtos. De acordo com uma pesquisa realizada pela Sempre Livre, 21 % das mulheres não possuem dinheiro para compras de unidades básicas, sendo obrigadas a utilizar elementos como meias e camisetas velhas, sacolas plásticas , jornais e até mesmo miolo de pão no período menstrual. Assim, tal situação prejudica diretamente sua saúde física, segundo Sempre Livre, ao adquirem doenças que afetam a fertilidade e podem levar à morte, como infecção urinária (28%), candidíase (24%) e infecções fungíneas (21%).

Além disso, a pobreza menstrual também afeta a saúde mental de mulheres e meninas no Brasil. Segundo a Sempre Livre, 22% das entrevistadas sentem-se frágeis em sair de casa quando menstruadas. Assim, a pobreza menstrual hoje é um dos responsáveis pela a evasão escolar feminina, por exemplo, no qual, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) , 1 em cada 4 preferem não ir à escola. Consequentemente, a falta de componentes básicos de higiene contribui também para o aumento da desigualdade de gênero na medida em que ao não ir à escola, meninas de 12 a 19 anos prejudicam seu futuro e, posteriormente, a qualidade de vida.

Infere-se, portanto, que a pobreza menstrual é um caso de saúde pública e precisa ser tratado. Por isso, cabe ao Governo Federal por meio de políticas públicas como distribuição de absorventes em espaços públicos, como escolas e posto de saúde, e leis de diminuição de taxação para itens de higiene básica feminina, como absorventes, garantir o fim da pobreza menstrual e, consequentemente, a equidade de genêros. Além disso, que a mídia, como principal difusora de informações, por meio de propagandas e palestras em parceria com Ministério da Educação, quebre o tabu em relação à menstruação, assim, mulheres não sofrerão mais com sua própria biologia como é mostrado em  “Pandora’s box”