Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 05/09/2021
A pandemia do coronavírus, além de ser responsável por inúmeros impactos socioeconôminos no Brasil, também evidenciou e reforçou as desigualdades presentes no país anteriormente. Um dos contextos sociais em evidência é a questão da pobreza menstrual, que consiste na impossibilidade em manter a higiene durante a menstruação, devido à ausência de itens básicos; falta de informação ou até mesmo de apoio emocional. Para indivíduos com condições financeiras, comprar absorventes é habitual e fácil, mas para outros, significa abdicar-se de uma refeição. Tais desafios no combate a essa questão se devem à estigmatização dos ciclos menstruais e à escassez de leis que considerem a higiene menstrual como um tema relacionado à saúde pública.
Em primeira análise, ressalta-se que, ao estigmatizar a menstruação, um processo normal do organismo feminino acaba sendo visto com pudor e repugnância pela sociedade. De acordo com a antropóloga brasileira Mirian Goldenberg, a estigmatização corrobora com a pobreza menstrual, já que, ao invés de serem discutidos abertamente, os ciclos menstruais são abordados de maneira velada e discreta. Tal discrição dificulta um melhor entendimento da menarca e das medidas de higiene que devem ser feitas mensalmente; além de gerar uma sensação de culpa e insegurança em meninas e mulheres sobre um aspecto inerente aos seus corpos. Dessa forma, percebe-se que, assim como o acesso aos produtos para a higiene menstrual, o conhecimento acerca da fisiologia do organismo feminino também é essencial para que as jovens sintam-se amparadas e acolhidas desse estigma.
Ademais, a ausência de medidas legislativas que considerem a pobreza menstrual como uma questão de saúde pública contribui para a manutenção deste contexto. Segundo uma pesquisa realizada pela Unicef, cerca de 4 milhões de garotas não têm acesso aos produtos básicos de cuidados para a menstruação, como absorventes e coletores. A falta de tais produtos já é o suficiente para inviabilizar a ida até a escola, pois não há meios para se reter o sangramento durante o ciclo. Por se tratar de um processo não pautado em escolhas, ou seja, é impossível escolher não menstruar; o apoio estatal é imprescindível e obrigatório para assegurar a dignidade feminina. Logo, nota-se que a pobreza menstrual afeta aspectos sociais do indivíduo e demanda a instituição de políticas públicas efetivas.
Portanto, uma medida eficaz para combater esses impasses é a criação de um conjunto de leis que visam à distribuição gratuita de produtos de higiene menstrual à população feminina. Tal medida será criada pelo Governo Federal, em parceria com o Ministério da Saúde, disponibilizando esses produtos nos postos de saúde e escolas do país. Desse modo, o acesso à higiene durante o período menstrual será garantido pelo Estado e a menstruação será cada vez menos estigmatizada pela sociedade.