Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 30/08/2021

No documentário “Absorvendo o Tabu”, é abordado o estigma em torno da menstruação na índia e acompanha mulheres que nunca tiveram acesso à absorvente. Fora da ficção, a pobreza menstrual ainda é a realidade de muitas jovens brasileiras que não possuem produtos de higiene pessoal, infraestrutura sanitária adequada e os conhecimentos necessários para esse período. Diante dessa perspectiva, a naturalização e a falta de políticas públicas agravam a problemática.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a escassa abordagem do tema como um obstáculo. Sob esse viés, segundo o sociólogo alemão Georg Simmel, essa banalização é denominada “Atitude Blase”, uma proposta de seu livro “The Metropolis and Mental Life”, que ocorre quando o indivíduo passa a agir com indiferença em meio às situações que deveria dar atenção. Nessa lógica, a inexistência de um debate acerca da temática acentua a evasão escolar de adolescentes e provoca lesões, infecções e inflamações para os indivíduos que precisam buscar alternativas para lidar com essa conjuntura. Desse modo, a precaridade menstrual aumenta a desigualdade entre homens e mulheres e o abismo entre ricos e pobres. Logo é inadmissível que esse cenário continue a perdurar, visto que conforme o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mais de 4 milhões de meninas não têm o alcance a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas.

Ademais, é fundamental apontar a ausência de políticas públicas como impulsionador do problema. Nesse âmbito, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, essa situação configura-se como uma violação da sua teoria de “contrato social”, já que o Estado não cumpre com o seu dever de garantir os serviços necessários para o bem-estar da população. Nesse sentido, observa-se uma negligência estatal nos investimentos em infraestrutura e acesso aos produtos de higiene menstrual. Desse modo, é função do Estado garantir a mínima dignidade feminina, além de estar relacionado a uma questão de saúde pública. Assim, esse serviço é primordial para o desenvolvimento pleno de uma sociedade.

Dessa forma, medidas são necessárias para combater esse impasse. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde, em parcerias com empresas privadas, promoverem iniciativas para combater essa precaridade, por meio de verbas públicas, com o objetivo de distribuir produtos de higiene menstrual de forma gratuita em clínicas da família, além disso, é fundamental que as escolas forneçam aulas e palestras sobre a menstruação, a fim de combater à pobreza menstrual no Brasil. Portanto, se consolidará uma sociedade mais abrangente, em que o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma Thomas Hobbes.