Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 30/08/2021

No livro “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela falta de problemas. Todavia, nota-se que, no atual Brasil, ocorre o oposto do que o autor prega, já que os desafios no combate à pobreza menstrual impedem a concretização dos planos de More. Assim sendo, em razão da negligência governamental e do silenciamento emerge uma temática complexa.

Primeiramente, é fulcral analisar a ideia de Aristóteles, filósofo grego, que afirmou que o objetivo principal da política é promover a felicidade dos seus cidadãos. Porém, percebe-se que essa tese não se aplica à questão dos desafios da pobreza menstrual, já que o Estado não tem aplicado políticas públicas eficientes para combater o revés. A prova disso é que, segundo pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mais de 4 milhões de mulheres não têm utensílios mínimos para higiene menstrual nas escolas do Brasil. Com efeito, o pensamento de bem-estar, defendido por Aristóteles, não se materializa na realidade do país.

Ademais, vale salientar que o silenciamento é causa latente do revés. Diante disso, Jurgen Habermas, filósofo alemão, em sua teoria da comunicação, destaca que a comunicação é o primeiro passo para a resolução de um imbróglio. Entretanto, em solo nacional, existe um “tabu” no debate sobre os desafios da pobreza menstrual. Isso se dá porque muitas pessoas não vivem a realidade de não ter esses itens básicos de higiene menstrual - por exemplo, vários políticos, que na grande maioria são homens, e não convivem com esse cenário. Assim, medidas são necessárias para mitigar a adversidade.

Portanto, o tema supracitado sobre menstruação é um assunto importante. Nesse quadro, o governo federal deve criar campanhas publicitárias por meio da captação de verbas da União. Esses anúncios precisam ser veiculados em todas as mídias nacionais de tal maneira a demonstrar como a falta de itens de cuidados básicos, para a menstruação, afeta o cotidiano das mulheres - como na escola, trabalho entre outros. Tal medida estatal tem a finalidade de fomentar o debate sobre o tema pela população geral e, a partir disso, desenvolver-se soluções eficientes para extinguir o impasse.