Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 31/08/2021
Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em seu Relatório 2021, apesar do progresso das últimas décadas, os países da América Latina e do Caribe são mais desiguais do que os de outras regiões com níveis de progresso semelhantes. Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil comprovam essa afirmação.
Em primeira análise, deve-se ressaltar que, de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, todos têm direito à saúde. Entretanto, no cenário brasileiro, onde, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 30% da população não possui saneamento básico, torna-se difícil para as mulheres que vivem nessa condição fazer uma higiene menstrual adequada, com os devidos produtos e o descarte correto deles.
Além disso, o presente debate não pode ser desconectado de uma discussão sobre gênero e racismo estrutural, pois falar de pobreza no Brasil é falar de uma mazela racializada, uma vez que, segundo o IBGE, 80% das mulheres em situação de extrema pobreza são negras. Ou seja, faltam a elas orientações acerca de como lidar com o seu bem-estar íntimo, assim como o acesso aos artigos que são específicos para o período menstrual. Consequentemente, o afastamento delas perante essas práticas de cuidado ocasionam uma série de prejuízos a sua saúde.
Em virtude dos fatos mencionados, o poder legislativo, em diálogo com o Ministério da Saúde e o Ministério da Mulher devem agir em conjunto, num esforço claro e prático. Ademais, alguns modos de intervenção podem se dar por meio da distribuição de kits de higiene íntima, tal como a difusão de campanhas que ensinem as mulheres a utilizá-los, além de aumentar a oferta desses produtos em banheiros públicos, tudo isso em paralelo à ampliação da rede de saneamento básico. Dessa maneira será possível combater a pobreza menstrual no Brasil e garantir uma melhor qualidade de vida para todas, de modo equitativo.