Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 09/09/2021

No ano de 1945 deu-se início à produção de absorventes no Brasil. Antes disso, apenas a elite utilizava esses artigos, visto que eram importados e a massa populacional vivia com as dificuldades para conter o fluxo menstrual e compreender como ocorria. Apesar de alguns anos decorridos, grande parte da população, principalmente a mais carente, ainda têm obstáculos no acesso de artigos de higiene feminina e informações sobre esse processo, denominado de “pobreza menstrual”. No entanto, essa situação é inaceitável, visto que todas as mulheres devem poder utilizar artigos de higiene e terem sua dignidade restituída.

Nesse contexto, é fundamental levar em conta a Constituição Federal Brasileira, em que está inserido o artigo 6°, o qual garante à toda a população os direitos sociais, isto é, a segurança, educação, saúde e assistência aos desamparados. Apesar dessa garantia, grande parte da população não têm os seus direitos reinvindicados, bem como as mulheres que vivem em precariedade, nesse caso, de higiene íntima. Dessa forma, são utilizados os mais variados artigos alternativos para conter o fluxo menstrual, como papéis, jornais e tecidos. Entretanto, tais elementos podem estar infectados e sem a devida higiene necessária para o contato com a região íntima e ocasionar posteriores problemas de saúde. Por isso, é explícito que esse é um problema de sáude pública.

Além disso, a menstruação ainda é um assunto que muitos evitam e, assim, permitem a ignorância de muitas mulheres, em especial as mais jovens e de regiões mais carentes. Desse modo, não compreendem o que ocorre com o seu corpo e como utilizar os absorventes ou coletores. A isso, pode-se relacionar o Mito da Caverna de Platão, em que as pessoas que estavam dentro da caverna eram alienadas em sua realidade e desconheciam a sociedade exterior. Do mesmo modo, as mulheres que são fadadas à sua realidade insalubre e precária de informação sobre seus organismos, tendem a viver alienadas na falta de higiene íntima e no sofrimento de se considerarem contaminadas ou anormais por não saberem o que, de fato, é a menstruação.

Portanto, essa situação urge mudança. Para isso, o Sistema Único de Saúde deve desenvolver o projeto “Higiene e dignidade feminina”. Essa medida terá duas vertentes principais: a primeira será a disponibilização em colégios públicos, postos de sáude e hospitais, posto que isso é uma necessidade de saúde pública, para evitar doenças e contaminações. Ademais, deverão ser ministradas palestras e informações em escolas e panfletos entregues nas casas, por médicos e agentes de saúde, a fim de informar as mulheres acerca do que é a menstruação e a melhor maneira de lidar com ela. Assim, a sociedade brasileira dará dignidade às mulheres, que romperão com esse ciclo de violência social.