Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 30/08/2021
Já faz parte do cotidiano das mulheres a luta para a conquista de muitos direitos básicos já garantidos. E no que diz respeito à dignidade menstrual não é diferente. Ainda que, desde 2014, a Organização das Nações Unidas (ONU) declara ser uma questão de saúde pública, a pobreza menstrual contribui para a evasão escolar de muitas brasileiras e com o preconceito em relação ao assunto.
Seguindo essa linha de pensamento, é possível afirmar que falar sobre menstruação ainda é um tabu para muitos de tal forma que inúmeras meninas são prejudicadas pela falta de informações e de uma rede de apoio. Quanto menos o tema é introduzido nas escolas e no ambiente familiar, mais a construção da autoestima, do conhecimento corporal e da dignidade de quem menstrua são afetadas. Consoante o Fundo das Nações Unidas pela Infância (Unicef), 73% das entrevistadas de uma pesquisa sobre saúde e decência menstrual dizem que já sentiram constrangimento por conta da menstruação.
É relevante abordar, também, que a precariedade ao acesso a itens básicos de higiene afeta o desenvolvimento escolar de uma parcela considerável de adolescentes. Conforme a ONU, no Brasil, uma em cada quatro alunas se ausentam da escola durante o período menstrual. Além de ser violação dos direitos de qualquer cidadão, o problema contribui como mais um fator de desigualdade de oportunidade entre gêneros. Logo, ações para minorar as adversidade devem ser tomadas.
Diante do exposto, é viável que o Ministério da Saúde, em convênio com o Ministério da Educação, deve fornecer recursos de higiene pessoal a mulheres, adolescentes e homens transexuais para utilização durante os ciclos menstruais, visando a dignidade em um processo biológico natural. Mediante a Lei de Diretrizes Orçamentárias, disponibilizar coletores menstruais, absorventes internos e externos e calcinhas absorventes nos banheiros femininos das redes de ensino e em postos de saúde. Ademais, palestras e aulas para os estudantes com o intuito de que o tabu em relação ao assunto diminua. Assim, mitigar-se-ia a problemática em questão.