Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 30/08/2021

Na obra “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, do pré-modernista Lima Barreto, o autor enfatiza, por meio do personagem principal, a visão de um Brasil sem defeitos. Em pleno século XXI, todavia, o país apresenta uma faceta contraditória ao ideal, devido aos desafios no combate à pobreza menstrual. Desse modo, pode-se analisar a aceitação social e o descuido do poder público como causadores da problemática.

Primariamente, é legítimo postular que a aceitação social intensifica o problema. Nesse sentido, o conceito de banalidade do mal, desenvolvido pela socióloga Hannah Arendt, informa que quando ocorre uma turbulência com bastante frequência na sociedade, passa a ser percebida como uma circunstância normal. Por essa ótica, a existência da falta de acesso a produtos de higiene menstrual, no âmbito social, não pode ser vista como mais um problema sem solução na sociedade, haja vista que, os cidadãos brasileiros não se incomodam com caso enfrentado, em concordância com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Portanto, é necessário que haja uma movimentação da população, o que, consequentemente, provocará uma mudança nesse cenário.

Ademais, outro fator é a negligência do poder público. Dessarte, pode-se citar o Ministério da Saúde que prevê o aumento da disponibilização de produtos que possam ser usados no período de menstruação, mas que, segundo uma pesquisa feita pela Folha de São Paulo, várias mulheres brasileiras vivem situações precárias quando se encontram menstruadas. Por consequência, fica evidente que a falta de ações, como aumentar a disponibilização de produtos higiênicos e apoiar as mulheres, por parte do Ministério, isso faz com que a situação se agrave, e as pessoas do sexo feminino são as que mais sofrerão com o descuido do governo. Em suma, é necessário que o poder público ofereça auxílio para as mulheres, pois sem amparo, o problema não será solucionado.

Sendo assim, medidas são necessárias para alterar esse cenário. É fundamental, em vista disso, que o Ministério da Saúde crie campanhas de conscientização, por meio das redes socias, mostrando fotos e vídeos de como combater a pobreza menstrual, fazendo com que haja uma mobilização social para ajudar a comunidade feminina que necessita de ajuda. Assim, poder-se-á transformar o Brasil em um país sem defeitos, da mesma maneira que dissse Lima Barreto.