Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 06/09/2021
Desde o aparecimento dos “Homo sapiens”, as mulheres lidam com a menstruação todos os meses por anos. Para alguns povos antigos, menstruar era considerado sagrado, bom e purificador, entretanto, com a hegemonia da cultura ocidental patriarcal, menstruar foi considerado algo ruim e impuro. Decorrente desse fator histórico, hoje, o Brasil sofre de uma grande pobreza menstrual, que para combatê-la é necessário superar os estigmas associados a menstruação e a falta de políticas públicas.
Inicialmente, com o domínio da cultura patriarcal, estigmas associados a menstruação passaram a surgir, tratando-a como algo impuro e demonizando-a. O que, por sua vez, alimentou a ideia da superioridade masculina, reduzindo a mulher a ser inferior pela sua menstruação. Séculos depois, alguns movimentos de direitos iguais passaram a surgir, entretanto, para não serem consideradas inferiores, as mulheres passaram a negar e esconder sua menstruação, afinal ela era a causa da falta de seus direitos. Isso acarretou nos dias de hoje, o nojo e o fardo de menstruar, que atrelado junto a desinformação, pode ser prejudicial à saúde das pessoas que menstruam.
Ademais, menstruar sai em média R$30,00 reais por mês, sendo que 13% da população vive com apenas R$246,00 reais por mês. Esses dados, demonstram que absorventes não são democratizados, mas sim elitizados, afinal, são taxados como cosméticos comuns, tendo 26% de seu valor aumentado pelos impostos. Além da falta de poder de compra de absorventes pela população, a falta ao acesso de saneamento básico e água tratada, pioram ainda mais a situação de pobreza menstrual, deixando as meninas mais vulneráveis infecções e doenças.
Sendo assim, é importante reforçar que o direito ao acesso de itens de cuidados menstruais é questão de saúde pública, não apenas problema de quem menstrua. Além do mais, cabe ao Ministério da Educação aumentar o acesso à informação sobre menstruação a meninos e meninas, nas escolas, através de palestras e campanhas, afim de diminuir os estigmas associados a menstruação. Cabe, também, ao Ministério Público aumentar o acesso da população à absorventes e higiene, diminuindo os impostos sobre eles e distribuindo-os pelo SUS, além de melhorar o saneamento básico da população, afim de democratizar o acesso à saúde menstrual a pessoas com útero.