Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 22/09/2021

Em 1988, representantes do povo -reunidos em Assembleia Nacional Constituinte- instituíram um Estado Democrático, a fim de assegurar a saúde como valor supremo de uma sociedade fraterna. Todavia, essa virtude é ameaçada pela pobreza menstrual, um reflexo da marginalização da saúde feminina no Brasil, em especial no que concerne à desigualdade social e à estigmatização da menstruação. Sendo assim, é fulcral a adoção de medidas que mitiguem o infortúnio.

À vista desse cenário, a disparidade de renda no país acarreta dificuldade de acesso a itens básicos. Sob esta ótica iminente, o escritor Gilberto Dimenstein disserta, em sua obra “Cidadãos de Papel”, acerca da inefetividade dos direitos constitucionais, sobretudo no que se refere à desigualdade de acesso aos benefícios normativos. Nessa lógica, a saúde é um “direito de papel”, porque, para a mulher que recebe um salário mínimo, o custo por ciclo menstrual é uma porcentagem alta desse salário, então elas são obrigadas a viverem em condições de higiene improvisados e precárias, com risco ao bem-estar. Destarte, é medular viabilizar itens básicos para a saúde feminina.

Outrossim, enquanto o estigma se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com uma das mais cruéis formas de violência: a desinformação. Consoante a isso, o curta-metragem “Absorvendo o tabu” discute a persistência do preconceito com menstruação. De maneira análoga, esse preconceito gerou um tabu que dificulta a higiene feminina, já que algumas mulheres usam folhas e sacolas para reter o ciclo, ou param de sair nesse período. Dessarte, revela-se a imprescindibilidade de desconstruir essa visão deturpada sobre menstruação.

Portanto, com o fito de fornecer mais conforto e segurança às mulheres, o Ministério da Saúde, responsável por promover a saúde pública, deve proporcionar os meios para um ciclo menstrual saudável, por intermediário da distribuição gratuita de panfletos educativos e itens básicos para esse período. As mulheres teriam acesso a absorventes higiênicos e receberiam a informação necessária de como funciona e como proceder durante seu ciclo. Assim, a saúde pode ser novamente um dos valores da sociedade brasileira.