Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 31/08/2021

O documentário “Absorvendo o Tabu”, produzido pelo Netflix, mostra as condições insalubres que mulheres indianas enfrentam por não terem acesso pleno à itens de higiene menstrual. Fora do documentário, a realidade brasileira se assemelha à indiana ao negar às mulheres dignidade na hora de menstruar. Nesse contexto, a pobreza menstrual é um desafio no Brasil devido não só à desigualdade social, mas também à lacuna de representatividade.

Convém ressaltar, a princípio, que a desigualdade social é um fator determinante para a dificuldade enfrentada no combate à pobreza menstrual. De acordo com o índice Gini, o Brasil se apresenta como um dos países mais desiguais do mundo e, isso impacta diretamente na saúde menstrual da mulher brasileira pois ao ter que escolher entre se alimentar e comprar absorventes, famílias, naturalmente, optam por se alimentar. Sob essa lógica, percebe-se que em um país desigual vencer a pobreza menstrual é um grande desafio, haja vista que produtos de higiene se tornam artigos de luxo quando a fome se faz presente.

Além disso, cabe ressaltar que a falta de representatividade de mulheres na política é um forte empecilho para o combate à pobreza menstrual. Apesar de existir a Lei de cotas para mulheres nos Senado e na Câmara, elas ainda são a minoria nas assembléias, condição que resulta na falta de leis e projetos que garantam o mínimo de dignidade para mulheres durante a menstruação. Nesse cenário, o Estado não enxerga o absorvente descartável como item de higiene básica e, pois, este não participa da cesta básica brasileira dificultando seu acesso e agravando o quadro de pobreza menstrual no Brasil.

Diante do exposto, fica evidente que medidas são necessárias em busca de mitigar as condições precárias que as mulheres mais vulneráveis enfrentam ao menstruar. Para isso, o Ministério da Saúde deve fornecer absorventes descartáveis por meio da Atenção Básica de Saúde, disponibilizando-os para retirada gratuita nas farmácias que se localizam dentro das unidades básicas de saúde. Essa medida visa oferecer dignidade às mulheres durante o período menstrual, sem que essas precisem optar entre a compra de alimentos e de absorventes íntimos. Assim, o Brasil deixará de espelhar a realidade retratada em “Absorvendo o tabu”.