Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 08/09/2021
É fato que o avanço do conhecimento, biológico e anatômico, da natureza humana ajudou a desmistificar o ciclo reprodutivo e, consequentemente, a menstruação. Entretanto, é inegável que ainda há um grande tabu acerca do assunto, o que dificulta e mascara a pobreza menstrual, que abrange um grande parcela da população brasileira, em vulnerabilidade social, privada do acesso a produtos de higiene, ou, até mesmo de espaços seguros com saneamento básico. Paralelo a isso, meninas em idade escolar se veem impossibilitadas de frequentar aulas ou driblando a falta de recursos com métodos precários de higiene.
Em primeiro plano, o tema menstruação passou por importantes debates durante a contracultura em 1960. Nesse período mulheres, eram incentivadas pelo movimento feminista a abandonar a vergonha que tinham ao comprar absorventes em farmácias e mercados. Essa conscientização, porem, enfrenta barreiras construídas pela desigualdade social, como, por exemplo, o acesso à informação, que barra o livre dialogo sobre a menstruação no ambiente familiar e escolar, e consequentemente, leva muitas meninas a não manifestarem sua necessidade de ajuda para lidar com o ciclo menstrual.
Nesse contexto, passar pelo período menstrual é um grande desafio para grande parcela das meninas, mulheres e transsexuais. Pode-se mencionar, o fato de pesquisas recentes, afirmam que uma parcela considerável de jovens já deixaram, em algum momento, de frequentar a escola pela incapacidade de adquirir absorventes. Essa frustração não se limita apenas (ao) ambiente escolar, similarmente, mulheres que sofrem com a pobreza menstrual, optam, por exemplo, a usar jornais, papel, ou o que estiver disponível para enfrentar a jornada de trabalho. Essa realidade, acaba não sendo discutida em níveis necessários, já que, o termo “pobreza menstrual”, é novidade para a parcela privilegiada da sociedade que não encara a falta extrema de recursos.
Nota-se, então, que medidas publicas são necessárias para acabar, ou atenuar, a pobreza menstrual brasileira. O SUS, deve implementar a distribuição gratuita de absorventes menstruais em postos de saúde à toda população, semelhantemente à distribuição de preservativos, de modo a promover a acessibilidade a um método, relativamente, higiênico de enfrentar o período menstrual. Somente assim, a pobreza menstrual pode ser combatida equilibradamente no território nacional, e assim proporcionar dignidade básica à população que menstrua.