Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 30/08/2021
No livro de Carolina Maria de Jesus, “Quarto de despejo”, a autora demonstra como as desigualdades do país fazem com que os periféricos vivam em uma situação de fragilidade. Visto que majoritariamente a população das periferias é formada por mulheres negras, tal fragilidade afeta em sua maioria as mulheres e consequentemente a saúde feminina. Sob tal ótica, para assessorar mulheres que sofrem com falta de condições financeiras para uma boa higiene menstrual, nota-se a importância de criações de políticas públicas para a mitigação de tal problema.
Primeiramente, moradores das periferias brasileiras, popularmente conhecidas como “favelas”, são indivíduos que historicamente sofreram um processo de segregação da sociedade. Salienta-se que, em seu livro “Teoria feminista: da margem ao centro”, a escritora Bell Hooks demonstra como á população periférica da sociedade, sofre com uma falta de acesso aos serviços públicos proporcionados pelo Estado. Pode-se observar tal constatação no fato de que as regiões brasileiras mais afetadas com a pobreza mentrual são as favelas brasileiras. Logo, nota-se como a população das áreas mais pobres do país acabam por sofrer com problemas de saúde pública advindos da falta de assessoria estatal.
Diante deste cenário, percebe-se que a falta de assessoria por parte do Estado à sua população mais carente acaba por amplificar as desigualdades já existentes no país. De acordo com o IBGE(Instituto Brasileiro de Geofrafia e Estatística) mulheres negras constituem tanto a grande maioria entre os periféricos como também são maioria entre as trabalhadoras domésticas do país. Assim sendo, percebe-se que no Brasil, além de lidar com problemas sociais que tem suas soluções postergadas pelo estado, a maioria da população periférica sofre de um agravamento de tais problemas devido a falta de condições financeiras para assegurar condições básicas como é o caso da higiene menstrual.
Por conseguinte, é fundamental que o Estado passe a ter uma atenção redobrada para com a população periférica. Com esse objetivo, o Ministério da Saúde, por meio da outorgação de um projeto de lei, deve lançar um programa para que o SUS(Sistema Único de Saúde) passe a oferecer absorventes gratuitos em seus postos de saúde. Desse modo, será garantido um assessoramento à população periférica por parte do Estado, pois será mitigado o agravamento da situação de fragilidade enfrentada pela população pobre do país, assim combatendo ao mesmo tempo tanto a desigualdade existente como também a pobreza mentrual que afeta as mulheres brasileiras.