Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 03/09/2021
Desde o Brasil colônia até meados do século xx, a menstruação não era um tema discutido e muitas mulheres possuíam vergonha de estarem menstruadas, visto que a sociedade exigia a ocultação dessa condição. Atualmente, apesar desse assunto ter maior visibilidade ,muitos indivíduos, que possuem útero, de baixa condição socioeconômica sofrem com a pobreza menstrual não somente pelo alto custo dos materiais de higiene utilizados nesse período, mas também pela pouca difusão desse tema, que ainda é tratado como tabu. Dessa maneira, é evidente a necessidade de debater tal conteúdo.
A princípio, é válido ressaltar que muitas mulheres que recebem menos de um salário mínimo não possuem condições para arcar com os custos de absorventes, coletores menstruais ou até mesmo remédios para dores durante o período menstrual. Nesse sentido, promulgada em 1988, a Constituição Federal garante que todos os brasileiros possuem o direito à saúde. Todavia, a negação da higiene e do bem-estar do sexo feminino são desafios para combater a persistência da pobreza menstrual no Brasil. Isso ocorre pela falta de políticas governamentais pautadas no distribuimento gratuito de materiais para o auxílio da mulher nesse período. Desse modo, medidas são essenciais para mitigar essa situação para que a Carta Magna seja cumprida de modo eficiente.
Ademais, convém salientar que assuntos relacionados ao ciclo menstrual e à saúde feminina ainda são pouco discutidos nas instituições de ensino no Brasil. Esse panorama ocorre porque resquícios do conservadorismo presente desde a época colonial ainda estão presentes na sociedade, o que faz esse tema ainda ser tratado como tabu. Tal circunstância impede doações e suportes para as mulheres que não possuem condições de adquirir materiais de higiene e remédios para esse período, além de colaborar com a evasão escolar de meninas e constrangimento feminino. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF), mais de 60 por cento dos jovens que menstruam já deixaram de ir à escola por causa da menstruação. Esse dado reforça a importância de soluções para acabar com essa problemática.
Diante dos fatos supracitados, cabe ao Ministério da Saúde, por intermédio de verbas governamentais, distribuir absorventes, coletores menstruais e remédios gratuitos nos postos de saúde para os indivíduos que possuem baixa renda, a fim de combater a pobreza menstrual. Outrossim, as escolas e universidades devem, por meio de palestras, incluir debates e discussões sobre a saúde da mulher e a menstruação, abertos ao público local, com a participação de especialistas do assunto, além de incentivarem doações de materiais higiênicos, com o objetivo de acabar com o tabu acerca desse assunto. Feito isso, é possível romper definitivamente com o passado e cumprir com a Constituição.