Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 06/09/2021
Lançado em 2018, o documentário indiano “Absorvendo o Tabu” retrata como o assunto da menstruação é abordado nas regiões rurais da Índia. Paralelamente no Brasil, uma a cada quatro garotas já chegou a faltar na escola por não ter acesso a absorventes e milhares de mulheres, por não possuírem condições de comprar o produto recorreram a papel de jornal, pedaços de pano e, em alguns casos, folha de árvore para tentar conter o fluxo menstrual. Sendo assim, além de impactar negativamente no desempenho acadêmico de milhões de jovens, a pobreza menstrual eleva a possibilidade da ocorrência de infecções urinárias e vaginais, colocando em risco a vida de milhões.
Primeiramente, de acordo com a pesquisa realizada pela plataforma Toluna em parceira com a marca de absorventes íntimos “Always”, cerca de 45% das entrevistadas acredita ter tido sua educação prejudicada pela ausência de absorventes e 29% das mulheres já ficou sem condições de comprar o item. Ademais, segundo o mesmo levantamento, os impasses ocorrem também no desenvolvimento pessoal das garotas pois muitas sentem-se culpadas pela menstruação e por não conseguirem comprar os absorventes, privando-se de atividades do dia a dia como brincar e frequentar a escola. Desse modo, milhões não gozam devidamente do direito promulgado pelo artigo 198 da Constituição Federal, que preza pela prestação de saúde à todos e todas em solo brasileiro.
Em segundo lugar, um dos principais perigos sanitários causados pela pobreza menstrual, é a ocorrência de infecções urinárias ou vaginais, promovidas pelo uso de papel higiênico, miolo de pão e sacolas plásticas, itens não recomendados para administrar o sangue advindo da menstruação. Além disso, o fator econômico atua como forte influenciador no tema, tal que absorventes são vistos, na lei brasileira, como itens cosméticos e não de higiene básica, sendo tributados por essa categorização. Logo, para muitas pessoas, a gestão menstrual é um hábito de luxo, portanto não tão acessível, prejudicando tano o bem-estar físico quanto o emocional.
Por tal viés, faz-se mister que o Ministério da Saúde, através de verbas públicas, atue na instituição de projetos que estimulem não somente a distribuição de absorventes íntimos em âmbito nacional, como também a promoção de palestras e propagandas exibidas tanto na televisão quanto em redes sociais sobre o assunto, a fim de conscientizar a população a respeito da problemática e diminuir os efeitos da pobreza menstrual.