Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 04/10/2021

O documentário “Absorvendo o tabu”, lançado pela netflix em 2019, retrata o cotidiano de jovens indianas ao ficarem menstruadas. Ademais, esse assunto é um tabu, visto que a maioria abandona os estudos, pois sentem-se envergonhadas.Análogo à situação da Índia, percebem-se aspectos semelhantes também no Brasil, no que tange o tema pobreza menstrual. Com isso, o tabu enraizado na sociedade, somado à ineficácia de políticas públicas contribuem para o quadro.

Em primeira análise, o termo “pobreza menstrual” está relacionado à falta de acesso a produtos que permitem uma boa higiene, como também a ausência de informações sobre educação sexual. Somado a isso, muitas mulheres vivem nessa situação de vulnerabilidade, como por exemplo, quando não têm dinheiro para comprar um absorvente e acabam abandonando o colégio quando jovem ou até mesmo serviços posteriormente. Por consequência, isto prejudica e anula muitas mulheres.

Em segunda análise, a Constituição Federal brasileira garante direitos iguais a todos os cidadãos brasileiros, principalmente itens básicos como vestuário e produtos de higiene. Entretanto esse preceito não está sendo legitimado na prática, de modo que absorventes não são classificados como produtos de higiene. Diante desse fato, percebe-se que a negligência acerca do assunto também está nos meios governamentais, tendo em vista que não disponibilizar esse item de modo essêncial e gratuito para mulheres faz com que uma parcela não tenha acesso, pois nem mesmo o preço no mercado é viável. Logo, a políticas públicas ineficazes e seletivas agravam o problema.

Em suma, medidas são necessárias para solucionar o impasse. Outrossim, o Estado deve reformular a lei e incluir o absorvente como um item básico de higiene, além disso, por meio de verbas governamentais, deverá instituir palestras em escolas e centros públicos com profissionais capacitados que expliquem que a pobreza menstrual é uma situação de vulnerabilidade e as mulheres devem ter a opção de buscar ajuda. Somente assim, o Brasil diminuirá o número de miseráveis que estão clamando por ajuda no quesito de saúde e saneamento público.