Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 08/09/2021
“No meio do caminho tinha uma pedra”. A frase retirada do poema de Carlos Drummond refere-se a um determinado problema enfrentado pelo indivíduo. Nota-se que, na interpretação do trecho, o combate à pobreza menstrual no Brasil pode ser associado a essa pedra, causado, muitas vezes, pela desigualdade social e sendo responsável por doenças infecciosas. Por isso, é fundamental que haja soluções.
Primeiramente, a desigualdade social é responsável pela pobreza menstrual e pela falta de conhecimento na sociedade acerca do assunto, uma vez que a menstruação é considerada um tabu. Analogamente, no documentário “Absorvendo o tabu” retrata a sociedade indiana e a pobreza menstrual vivida pelas cidadãs, as quais precisam utilizar jornais ou panos para impedir que o sangue se espalhe, visto que, na sociedade, a menstruação é considerada “sujeira”.
Além disso, a falta de informação e de produtos básicos de higiene se tornam uma problemática, uma vez que, de acordo com a CNN Brasil, cerca de quatro milhões de meninas sofrem com a falta de acesso a absorventes, o que pode ser gerado devido à condições financeiras precárias. Ademais, de acordo com o filósofo Noberto Bobbio, a dignidade humana é uma característica intrínseca ao homem, capaz de dar-lhe o direito ao respeito por parte do Estado. Nesse sentido, a precariedade menstrual fere a dignidade humana, visto que a falta do absorvente pode originar graves infecções urinárias e vaginais, as quais podem levar ao óbito.
É necessário, portanto, que haja mudança nesse cenário. Logo, o Ministério da Saúde deve distribuir gratuitamente absorventes em UBS (Unidades Básicas de Sáude) e criar a “Semana da Conscientização da Menstruação”, a qual apresentará palestras acerca da normalização da menstruação e as possíveis doenças que podem ser geradas devido à falta de higiene. O evento deve ocorrer por meio de canais de televisão aberta, como a rede Globo, a fim de que ocorra a conscientização de toda a população. Por conseguinte, a pobreza menstrual não será uma “pedra”.