Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 31/08/2021

De acordo com a obra “Brasil, País do Futuro”, escita por Stefan Zweig, em 1941, Brasil assume uma conotação progressista, o que projeta  uma visão promissora de um tempo de ouro. Entretanto, há uma significativa discrepância entre o que era esperado e o que foi entregue, sobretudo a questão da biologia feminina e seus mecanismos naturais dos ciclos ovarianos  — um tópico natural que gera grande dificuldade para uma população carente e sem acesso à apetrechos básicos de higiene pessoal. Assim, é possível afirmar que não só a percepção da menstruação como um tabu a ser enfrentado, mas também a negligência das instituições de ensino público para amparar tal parcela fomentam o status quo contemporâneo do século XXI.

Inicialmente, é necessário dizer que, como afirma parte dos estudos feitos pelo geógrafo Milton Santos, há uma grande falha na estrutura social do Brasil, tendo em vista não só a má distribuição de renda, como também a negligência para com os tópicos importantes para o preparo da vida adulta. Por exemplo, de acordo com os dados do Intituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 20% dos bebês nascidos são gerados por meninas adolescentes entre 15 e 19 anos de baixa condição social, e que, ainda assim, o sexo é tratado como um assunto a ser evitado ao invés de discutido no âmbito familiar, o que não difere da menstruação feminina. A priori, é evidente que o problema não é uma questão sexual, mas sim de educação precoce para o conhecimento do próprio corpo — afinal, a menstruação é um início de um período fértil, não de suplício e vergonha para consigo mesma.

Ademais, outro fator importante a se dicutir tange ao despreparo das instituições públicas em contornar os obstáculos da natureza feminina para convívio social. Conforme os dados do Governo Federal, durante a operação Lava Jato, constatou-se que houve um desvio de aproximadamente 200 bilhões dos cofres públicos para benefício individual, o que mostra a evidência de que o problema não é financeiro, mas sim de indiferença em relação às meninas. Assim, é inadmissível que, com tal estigma presente na sociedade sobre a descamação do endométrio feminino, não haja uma mobilização para amparar e auxiliar em casos de emergência — aliás, os ciclos podem ser desregulados e não previsíveis.

Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com as instituições de Ensino, conscientizar a população por intermédio de palestras educativas e campanhas publicitárias acerca do corpo feminino, com suas diferenças metabólicas e o realce de que é algo normal e necessário a ser discutido. Além disso, cabe também ao Estado, em parceria com ONGs de cunho humanitário, fornecer a democratização do ensino por meio do fornecimento de equipamentos básicos para a higiene feminina. Espera-se, com tudo isso, uma supressão da pobreza menstrual.