Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 04/09/2021

Os versos ‘’Uma educação pela pedra/ para, a partir de lições, aprender a frequentá-la’’, do renomado poeta João Cabral de Melo Neto, provoca a reflexão de que é preciso partir da gênese das questões para poder compreendê-las. Com essas concepções metafóricas, é possível analisar a problemática da pobreza menstrual no Brasil, na medida que muitos cidadãos com útero sofrem com a falta de informação e acesso a itens básicos durante a menstruação. Nesse contexto, cabe esclarecer de que forma a carência monetária inflama o impasse aludido, bem como ressaltar em que sentido a ignorância sobre o sangramento femenino interfere no bem estar da mulher.

A priori, é preciso reconhecer que em situação de pobreza econômica a comida é posta como prioridade e os objetos de higiene pessoal são colocados em segundo plano. Desse modo, atesta-se a percepção de Cabral, dado que as origens dessa adversidade é a escassez de recursos financeiros. Aliás, não se pode negar que tal fato obriga indivíduos em vulnerabilidade social a utilizar produtos inapropriados, como, jornais, pães e pedaços de pano ao invés de absorventes, trazendo grande incômodo, provocando infecções e gerando infertilidade.

Ademais, observa-se que o tabu sobre o ciclo menstrual impede debates construtivos para a resolução do infortúnio em questão. Nessa perspectiva, ascende o pensamento do filósofo francês Immanuel Kant, que na obra “Ensaio sobre a pedagogia” defende a tese de que o segredo para o aperfeiçoamento da humanidade está na educação. Em outras palavras, a transmissão de conhecimentos acerca do catamênio traria voz às dificuldades enfrentadas pelas mulheres. Assim como geraria liberdade às meninas para conversar sobre seus ciclos, descobrindo se há alguma enfermidade e reduzindo a vergonha caso haja um efluxo.

Diante dos argumentos supracitados, é preciso concentrar esforços em solucionar o soturno problema da pobreza menstrual. Inicialmente, cabe ao Ministério da Saúde as tarefas de disponibilizar gratuitamente absorventes em instituições públicas e promover mutirões com ginecologistas em consultórios móveis, visando a prevenção de doenças no aparelho reprodutor feminino. De modo complementar, o Ministério da Educação deve promover rodas de conversa sobre ciclo menstrual nas escolas, com agentes de saúde, direcionadas para homens e mulheres, com vistas à quebra do tabu. Feitas tais ações, espera-se solucionar esse entrave, de modo a aprendermos a educação pela pedra.