Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 02/09/2021

Segundo o Mito da Caverna do filósofo Platão, aqueles que vivem baseados nas sombras, estão acomodados nessa realidade e dificilmente tendem a buscar a luz. Nesse sentido, a pobreza menstrual é pouco discutida no Brasil. Desde a Idade Média, havia um preconceito contra a menstruação, a igreja via o ato de menstruar como algo imundo e poluído. Diante disso, conseguimos perceber que a necessidade de combate a pobreza menstrual, é devido ao alto número de famílias em situações de extrema carência, falta de informações, cuidados e a precariedade nos sistemas de saúde, com isso afetando o cotidiano.

Em primeira análise, cabe ressaltar que a falta saneamento básico e de dinheiro para a compra de absorventes, aumenta a evasão escolar e expõe problemas à saúde pública, ondes muitas meninas deixam de frequentar escolas justamente pela falta de produtos básicos de higiene, nele está incluso o absorvente, coletor menstrual, OB (absorvente interno), sabonete e papel higiênico. Embora seja um assunto pouco discutido entre a população brasileira, mais de 4 milhões de jovens sofrem com a falta desse produtos, de acordo com o portal de noticias da CNN Brasil. Um levantamento feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou que cerca de 713 mil meninas vivem sem acessos a banheiros e água canalizada, e mais de 6 milhões não possuem acesso a rede de esgoto em casa.

Além disso, a falta de informações sobre o assunto e cuidados com a saúde, contribuem para o crescimento desses fatores. Segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS) 25% das pessoas do sexo feminino que menstruam no Brasil, não possuem nenhum tipo de acesso a absorventes, tendo então que arrumar outros meios para a substituição dele, como por exemplo: utilização de meias, panos e camisetas que não utilizam. Prova disso, a ONU (Organização das Nações Unidas) estimula que uma em cada dez meninas falte à escola durante o seu ciclo menstrual, e no Brasil esse índice pode aumentar ainda mais.

Portanto, medidas são necessárias para que a questão da pobreza menstrual no Brasil seja resolvida. Sendo assim cabe ao Ministério da Saúde, desenvolver projetos que auxiliam na distribuição de produtos de higiene, de forma gratuita em postos de saúde, farmácias e escolas. Tendo assim, atender todas as demandas que serão estipuladas durante o período menstrual das mulheres, disponibilizar informações sobre o assunto nas escolas, principalmente para aquelas que estão menstruando pela primeira vez. Para isto, é necessário que verbas sejam disponibilizadas de forma gradual para que o impacto desses problemas possam ser resolvidos, visando a melhoria da pobreza menstrual no Brasil.