Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 18/09/2021

´´No meio do caminho tinha uma pedra´´. Esse verso do poema homônimo de Carlos Drummond de Andrade pode ser associado a uma temática atual, já que, em meio a uma era de grandes avanços no Brasil, a pobreza menstrual funciona como uma ´´pedra´´ que dificulta o continuísmo do progresso brasileiro . Esse cenário de iniquidade é fruto, principalmente, da inoperância estatal e da omissão midiática. Logo, faz-se necessário debater os desafios dessa problemática a fim de combatê-la.

Diante de tal cenário, é válido ressaltar, inicialmente, que o Artigo 6° da Constituição de 1988, garante saúde aos cidadãos. No entanto, o que se nota na contemporaneidade é a inoperância dessa garantia constitucional, haja vista a mínima expressividade desse Estado, ainda em vigor, no que tange ao alto número de meninas que sofrem com a privação de higiene nas escolas. Segundo o site CNN Brasil, 4 milhões de meninas não possuem acesso a absorventes ou banheiro com sabonete no ambiente escolar, assim, são usados ​​por elas de forma improvisada no lugar do absorvente os jornais, pedaços de pano e folhas de árvores para conter a menstruação, podendo contrair infecções, doenças e colocar completamente em risco a saúde. Sendo assim, fica evidente a necessidade de medidas para a efetivação do Artigo 6 °.

Ademais, ressalta-se que a mídia, ao não abordar sobre o tema, colabora para a persistência dessa conjuntura. Dessa maneira, de acordo com os sociólogos da Escola de Frankfurt, alguns veículos de comunicação têm contribuído para a formação de uma sociedade com baixa capacidade reflexiva. Nesse sentido, a desinformação sobre a temática da pobreza menstrual no Brasil e seus desafios para combatê-la mantém os cidadãos em uma visão individualista, na qual minimizam a falta de acesso a higiene menstrual no Brasil. Logo, a realidade torna a teoria dos sociólogos atemporal, porque a mídia ao não propagar campanhas sociais sobre o tema faz com que os indivíduos não se conscientize.

Portanto, medidas são necessárias para atenuar esse entrave. Logo, o Ministério da Educação, braço do governo responsável pela elaboração e execução da Política Nacional de Educação (PNE), por meio de uma parceria com as prefeituras, deve realizar um ciclo de palestras em escolas. Essa ação deverá ser compartilhada nas redes sociais do Ministério no formato de ´´LIVE´´ com o fito de atingir grande parte da população brasileira. Ademais, a mídia, com seu alto poder persuasivo, deve informar a população sobre a importância de combater a probreza menstrual, por meio de campanhas e propagandas nas redes sociais, com o objetivo de conscientizar a sociedade brasileira. Com isso, essas atitudes serão tomadas com a finalidade de combater a probreza menstrual no Brasil e, assim, fazer valer o Artigo 6°.