Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 03/09/2021

Segundo a constituição de 1988, todos nós possuimos direito a saúde, mas na prática, o público feminino em situação de pobreza é quem mais sofre com a negligência desse direito. No brasil, segundo um levantamento feito pela UNICEF uma em cada 4 brasileiras, não tem acesso a absorvente e mais de 700 mil mulheres e meninas não tem acesso a banheiros para realizar sua higiene. Assim, muitos fatores como tabu, falta de comunicação, informação e ações públicas ineficientes , implicam no agravamento da pobreza menstrual.

Em primeira análise, em um documentário da Netflix, “Absorvendo o Tabu”, mostra como a falta de informação e o tabu em cima da menstruação pode afetar a vida das mulheres. Meninas a partir da sua primeira menarca enfrentam problemas como, falta de materiais para higiene correta, sentimento de vergonha e julgamento, pois ainda a menstruação é vista como algo sujo e ainda mais numa sociedade patriarcalista, isso ajuda a agravar o cenário acerca da menstruação . Muitas mulheres deixam de ir á escola por não terem absorventes, usam diversos panos para estancar o sangramento, correndo risco de pegar alguma infecção, e até mesmo miolos de pão são utilizados . A falta de informação contribui para o preconceito em cima da menstruação, sendo lidada em muitos países como doença e até mesmo como impureza, e pela falta de ações públicas eficientes sobre o assunto a situação permanece inalterada.

Em segunda análise, produtos destinados ao público feminino recebem um aumento de até 35%, segundo a EBC, a mais em relação aos produtos destinados ao público masculino, por conta da cor, e o mesmo ocorre com os absorventes que recebem a Taxa Rosa e são vistos como produto súperfluo. O que gera um sentimento de incredulidade, já que a mesntruação não é uma escolha e sim algo natural do corpo feminino, e levando em consideração que outras coisas como relações sexuais e contracepcção são uma escolha e os materiais são oferecidos gratuitamente em postos de saúde.

Portanto, os desafios no combate a pobreza menstrual são muitos, mas para amenizar para uma possivel reversão do quadro, seria necessário a criação de uma parceria do governo com empresas que fornecem produtos de higiene menstrual para pessoas com útero, para distribuição gratuita de absorventes e tampões descartáveis, junto com um pequeno livro explicando sobre a menstruação, o que acontece com o corpo, o que a mulher pode sentir, como também como utilizar o absorvente e modo de descarte, como também acesso a agua tratada e um banheiro dentro dos postos destinados ás mulheres, para realizarem sua higiene corretamente. Dando dignidade, informação e acolhimento a esse público, será possivel uma melhora da situação de pobreza menstrual no Brasil.