Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 16/10/2021

A expressão “Pobreza Menstrual” foi concebida com a  intenção de mostrar o impacto que a falta de dinheiro pode causar na vida do público feminino durante o período menstrual. No Brasil, são milhões de meninas em fase escolar que sofrem, devido à  falta de recursos para a compra de absorventes e outros itens de higiene, bem como pela precariedade do ambiente no qual vivem, pois, a pobreza menstrual é fruto das desigualdades sociais que levam parte da população a viver em ambientes insalubres. Um relatório emitido pela UNICEF informa que, 4 milhões de meninas brasileiras não têm acesso ao mínimo necessário para a higiene menstrual em suas escolas, a falta de absorventes,  papel higiênico, sabonetes e até mesmo água estimulam a ausência desse grupo às aulas durante o período menstrual e a falta de políticas públicas agravam essa situação.

Inicialmente, existe um tabu relacionado a menstruação. Apesar dos muitos avanços relativos ao empoderamento feminino,  ainda é preciso combater alguns comportamentos como por exemplo, nomear o ciclo, até mesmo as mulheres ficam envergonhadas ao falar a plavra (menstruação). Nas escolas esse assunto não é tratado com naturalidade, é fácil perceber meninas constrangidas ou isoladas, sendo que parte dessa atitude se dá em razão de não estarem usando um artigo apropriado para a contenção do fluxo. Sabe-se que o uso de materiais impróprios como jornal e retalhos dentre outros são utilizados como absorventes, aumentando o risco na saúde dessas brasileiras.

Por conseguinte, não são poucos os problemas que podem ser gerados em função da pobreza menstrual. A contenção da menstruação por produtos não estéreis pode causar infecções e outras doenças. Pode-se desenvolver problemas emocionais devido a algum constrangimento em virtude da ocorrência de vazamentos, causados pela falta ou má qualidade do absorvente. Há ainda, o baixo rendimento escolar devido às faltas ligadas ao período menstrual,  prejudicando o futuro desses indivíduos. Segundo a filósofa Simone de Beauvoir, " o mais escandaloso dos escândalos, é quando nos habituamos a ele". É preciso falar abertamente sobre menstruação e conclamar nossos governantes a criar políticas públicas, que possam atender às necessidades menstruais das brasileiras de baixa renda.

Portanto, cabe ao governo federal, mediante o Ministério da Saúde, criar lei para doação de absorventes nas escolas e nos postos de saúde, para que toda brasileira que necessite, tenha acesso fácil. Deverá também por meio do Ministério da Educação, criar uma aula especial para alunos do ensino fundamental, específica sobre o funcionamento do corpo humano, com ênfase na menstruação feminina, ministrada por professores especializados em biologia. Desse modo, o impacto sobre o orçamento dessa minoria e sobre suas vidas será reduzido e o tabu sobre a menstruação eliminado