Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 06/09/2021
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, decretada pela ONU em 1948, assegura a todos os indivíduos o direito a uma vida digna. Entretanto, a pobreza menstrual – carência de apoio, informações e itens básicos de higiene no período menstrual – apresenta barreiras que dificultam a concretização de tal direito na prática. Logo, faz-se fulcral entender como a desigualdade social e o preconceito estabelecido sobre o tema contribuem para a persistência dessa conjuntura.
Inicialmente, um entrave é o contraste presente na sociedade brasileira que age intensificando o problema. De fato, tal argumento se faz presente nas ideias do poeta francês Victor Hugo que que descreve o progresso como uma roda contínua de duas engrenagens, na qual fazer andar uma coisa é sempre esmagar outra. Nesse contexto, fica claro que enquanto uma parcela da população avança, a outra é cada vez mais oprimida e marginalizada, o que acentua a desigualdade e aumenta os casos de pobreza menstrual no país.
Ademais, o “tabu” em relação à menstruação favorece a problemática. Segundo o livro “Mulheres que Correm com os Lobos”, de Clarissa Pinkola Estés, a mulher sempre é ensinada a silenciar seus sentimentos e duvidar daquilo que a torna humana. Diante disso, é evidente que o preconceito impede muitas meninas de falarem e buscarem ajuda. Um exemplo são as alunas que deixam de ir à escola graças a falta de recursos para comprar absorvente e ao constrangimento em buscar auxílio da própria instituição de ensino, já que o assunto é visto como algo vergonhoso. Logo, é notório que tais empecilhos são prejudiciais à saúde e ao bem-estar feminino, além de favorecer as desigualdades de gênero e socias do país.
Portanto, a fim a efetivar o que manda a Declaração dos Diretos Humanos, o Governo deve, em parceria com o Ministério da Saúde, mediante ao redirecionamento de verbas, prestar o auxílio necessário às mulheres em situação de vulnerabilidade social, com a distribuição de absorvente e outros itens de higiene em escolas e postos de saúde, garantindo, com isso, maior inclusão e dignidade a esse público. Em adição, o Ministério da Educação, em conjunto com as escolas, deve investir em campanhas que visem informar e educar os jovens sobre o assunto, afim de acabar, de uma vez por todas, com os preconceitos relacionados ao tema.