Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 02/09/2021
De acordo com o filósofo “Max Weber”, a sociedade é moldada a partir da ação social de cada componente da comunidade. Tal citação mostra como os indivíduos são responsáveis pela conjuntura realista, por meio das suas negligencias e preceitos, ressaltando-se a pobreza menstrual na atualidade. Essa problemática lamentável ocorre não só em razão das ramificações do tabu presente na sociedade, mas também pela falta de recursos governamentais. Ademais, é urgente a análise do cenário para reverter o quadro.
Em primeiro plano, é necessário destacar que a carência de investimentos na saúde pública, em destaque para as mulheres, deriva da ineficácia do Poder Público, no que concerne a auxiliar indivíduos desfavorecidos financeiramente a obterem acesso aos recursos básicos. Sob a perspectiva do filósofo John Locke, o Estado surgiu do pacto social e assegura os direitos básicos dos cidadãos. Todavia, esse pacto esta sendo quebrado no Brasil, visto que a falta de investimentos resulta na exclusão de algumas mulheres aos recursos básicos, porque a população em extrema miséria não possui condições para comprar o mínimo e não recebe a devida atenção do governo, assim, contribuindo para a pobreza menstrual.
Além disso, a presença do tabu na sociedade com o assunto em questão, principalmente entre homens, apresenta-se como outo desafio para resolver à problemática. De acordo com o documentário “Absorvendo o Tabu”, as mulheres indianas, residentes de zona rural, são proibidas de comentarem sobre o período menstrual e nunca tiveram contato com um absorvente. Tal perspectiva ecoa pela sociedade brasileira, haja vista o tabu presente nas escolas e internet, muitas vezes infundado desde o nascimento do indivíduo, consequentemente empobrecendo o conhecimento menstrual para as mulheres e as tornando motivo de chacota nos diversos âmbitos sociais. Logo, esse conjunto de perspectivas retarda o combate da pobreza menstrual.
Portanto, é indubitável que o tabu presente na sociedade e a falta de recursos governamentais precisam ser revertidos, para a resolução da problemática. Assim, cabe a Indústria Cultural, usar toda a sua capacidade de propagação para mitigar o tabu enraizado na sociedade, através de eventos e feiras demonstrativas, aplicados em praças públicas, com figuras públicas de influência para inserir a temática nas famílias e reverter o quadro de chacota posto nas mulheres. E ainda, é valido o Ministério da Saúde disponibilizar verba para proporcionar a distribuição de ginecologistas gratuitos, nos postos de saúde, e de absorventes gratuitos para cidadãs de baixa renda, com o objetivo de fundamentar uma sociedade digna através da ação social de cada indivíduo, como Max Weber citou em suas teses.