Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 02/09/2021

Em 2014, a Organização das Nações Unidas passou a caracterizar o acesso à higiene da menstruação um direito de pessoas do sexo feminino. Contudo, no Brasil, a pobreza menstrual ainda é um problema longe de ser contornado, o que se deve, sobretudo, à extrema desigualdade social brasileira e ao descaso estatal.

Em primeiro lugar, percebe-se que a miséria nas classes mais baixas da sociedade configura-se como um obstáculo que mina o combate à pobreza menstrual. No livro ‘‘Quarto de despejo’’, da escritora favelada Carolina de Jesus, é destacado como, em inúmeros eventos, falta dinheiro até para a alimentação. Dessa forma, fica subentendido que os itens básicos de higiene são extremamente custosos à parcela da população a que pertencia a escritora e, por isso, são colocados em segundo plano.

Ademais, a negligência estatal é outro desafio que dificulta a superação da pobreza na menstruação. De fato, segundo dados de um levantamento realizado pela Unicef, cerca de quatro milhões de meninas brasileiras são privadas de pelo menos um aparato higiênico em banheiros escolares. Isso ilustra o total descaso do governo brasileiro com as alunas de classes menos abastadas, as quais são obrigadas a sofrer com a humilhação e o desconforto de assistir às aulas sem o devido cuidado que requer a menstruação, fato que compromete o rendimento escolar e, logo, deveria ser de interesse público.

Portanto, é imprescindível que a pobreza menstrual, agravada pela desigualdade social e pelo descaso estatal, seja combatida, o que deve ser realizado por meio do estabelecimento, por parte do Ministério da Educação, da obrigatoriedade de todos os aparatos higiênicos nas escolas, fato que melhorará o rendimento dos alunos e, portanto, promoverá, a longo prazo, a redução das desigualdades. Além disso, o Ministério da Saúde deve distribuir, em comunidades carentes, kits de higiene que contenham o necessário para lidar com a menstruação, o que deve atenuar o problema a curto prazo. Dessa forma, contornar-se-ão as adversidades que impedem a superação da pobreza menstrual no Brasil.