Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 02/09/2021

“A indiferença muitas vezes causa mais danos do que a aversão direta”. A frase de Dumbledore, na saga Harry Potter, representa de forma análoga a importância de se discutir a questão da pobreza menstrual no Brasil, uma vez que a indiferença social no assunto é prejudicial à sociedade. O problema ocorre, pois as escolas não participam na desconstrução dos preconceitos sobre a menstruação, o que gera a falta de democratização do acesso aos itens básicos de higiene mentrual.

Em primeiro lugar, no que diz respeito ao filósofo iluminista Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação fez dele. Sob essa ótica, os tabus sociais sobre a mentruação são resultados da falha educacional brasileira, a qual não proporciona a desconstrução desses preconceitos coletivos. Isso pode ser visto, por exemplo, na falta de conversas e de debates a respeito dos problemas relacionados à pobreza menstrual no Brasil. Dessa forma, as pessoas são condicionadas a agirem pelo senso comum e permanecerem hesitantes a respeito da menstruação.

Nesse viés, o comportamento indiferente dessas instituições de ensino formenta o processo de “desmocratização” do acesso aos itens básicos de higiene menstrual. Conforme o filósofo Rousseau, a sociedade ideal é aquela que proporciona o bem-estar à população. No corpo social brasileiro, porém, esse modelo rousseauniano não é aplicado na prática, tendo em vista que a inacessibilidade de itens como absorventes prejudica a qualidade de vida daqueles que não possuem acesso a eles. Dessa maneira, a pobreza mentrual é construida pela indiferença escolar e não condiz com o modelo rousseauniano de sociedade.

Portanto, faz-se imprescindível que as instituições de ensino - agentes responsáveis pelo problema - intervenham na questão. Desse modo, cabe a elas a organização de debates sobre a menstruação, por meio de dados científicos sobre as consequências da pobreza menstrual no Brasil, a fim de informar a população sobre a importância da democratização do acesso aos itens básicos de higiene íntima. Assim, a sociedade certamente deixará de ser indiferente, e a pobreza mentrual não será mais um problema.