Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 09/09/2021
É ingênuo analisar os efeitos problemáticos unicamente. A distribuição de absorventes é ineficaz. Dá-los não extingue as causas. A concepção ocidental de enfatizar os produtos em vez dos fatores é nociva. Em suma, a pobreza, condição multivariável, é razão última da carência de métodos higiênicos femininos. É um problema dificílimo. Exige-se, assim, resoluções igualmente competentes e complexas.
Analogamente, a pobreza é consequência das múltiplas hierarquias biológicas e sociais, basais à sociedade. Estratos são intrínsecos à vida, vistos até mesmo em crustáceos. Destruí-los, opção muitas vezes apontada, é ridículo, pois fragmentaria o sistema biológico que guia a vida há bilhões de anos. Ademais, a erradicação completa da pobreza é inatingível; porque, em detrimento da qualidade de vida de muitos, há de se tolerar um percentual de miséria. Embora tal porcentagem seja atualmente desconhecida, pode-se, contudo, elevar os padrões do que é pobreza. Aos que se encontram na penúria, a perspectiva de seus descentes viverem melhor do que os ascendentes os motiva resistir ao sofrimento.
Outrossim, a pirâmide social deve ser moldada de acordo com as variáveis idiossincráticas presentes no convívio. Tê-la com aspecto achatado, isto é, o grosso dela corresponde à população pobre, é indesejável, porquanto é instável devido à probabilidade de revoltas, vide, por exemplo, a revolução francesa. Eis que surge a dicotomia política. A direita prega o papel essencial hierárquico. A esquerda os malefícios dela. Infelizmente, ambas as funções, num âmbito mundial, estão corrompidas pelo extremismo. A extrema direita propõe hierarquias absolutas, i.e., supremacias. A extrema esquerda a obliteração delas, ou seja, a utopia marxista igualitária. Não há no mundo fanático político a discussão aos necessitados.
Portanto, é fundamental reestabelecer a normalidade política. O Estado deve punir veementemente os extremistas. Entretanto, somente isso não basta. Faz-se necessário o investimento público nas escolas. Utilizar, especialmente, de parcerias público-privadas. Isso descentralizará o ensino. As escolas tornar-se-ão integrais e ofertarão refeições juntamente ao entendimento das necessidades singulares de cada região. Segundo Immanuel Kant, “O homem não é nada além daquilo que a educação fez dele”. Logo, a igualdade de escolhas, proveniente da educação, realizará a esperança familiar: “Se a pobreza atual não será empecilho à minha prole, é possível suportá-la”.