Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 10/09/2021

Negligência política,falta de debate e dinheiro.Essas são questões que caracterizam a pobreza menstrual no cenário brasileiro,uma vez que,basta um olhar atento sobre a forma como as pessoas,que possuem útero,lidam com a falta de itens básicos durante o seu período menstrual.Com isso,situações como a não exposição midiática e a falta de investimentos governamentais corroboram com a perpetação do impasse.

É relevante apontar que o problema advém,em muito,da falta de exposição sobre a pobreza menstrual.Conforme Pierre Bourdieu,o que foi criado para ser uma ferramenta democrática não deve ser usada como forma de opressão.Nessa perspectiva,pode-se observar que os veículos de informação não colocam em pauta situações de condição precária de higiene vivenciada por muitos indivíduos que mestruam.Consequentemente,situações como a falta de acesso à absorvertes ou condições precárias de higiene não são trazidas em pauta,assim,ao invés da mídia servir como instrumento de exposição e debate,age silenciando e contribuindo para a consolidação da problemática.

Outrossim,a ausência de apoio público intensifica o problema.Sob a ótica do sociólogo Émile Durkheim,a sociedade é como um corpo e a saúde dependerá da coesão social,problemas internos colocam em risco o bom funcionamento.Nessa perspectiva,é perceptível que problemas internos,como a falta de respaldo político quanto a pobreza menstrual ,colocam em xeque o bom funcionamento da saúde pública.Dessa maneira,como a política etatal não mostra-se empenhada em promover práticas que objetivem fornecer uma alternativa para aquelas pessoas que não possuem nem acesso nem renda suficiente para a compra de absorventes,abrem-se brechas para a manutenção do negligenciamento quanto às necesssidades sanitárias individuais.

Portanto,em vista das problemáticas discutidas medidas são necessárias para reverter esse quadro.Para que isso ocorra,as mídias podem,através de suas plataformas de comunicação e canais,fazer reportagens sobre as condições precárias de higiene e a falta de acesso a absorventes,  com a finalidade de expor esse problema,para que,assim,possa existir um debate e exposição acerca do problema.Por último,o Estado pode,em parceria com o Ministério da Saúde,disponibilizar absorventes gratuítos em postos de saúde,a fim de possibilitar o acesso a esse ítem necessário e básico de higiene e,dessa maneira,tentar garantir a democratização da saúde.