Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 02/09/2021
O livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, conta a história de uma pobre família do sertão que, vivendo à margem da sociedade, nem mesmo consegue se expressar verbalmente. Da mesma maneira, milhares de mulheres, no Brasil, se sentem, também, sem voz, todos os meses, devido à pobreza menstrual e os desafios no combate ao mesmo. Dessa forma, cabe analisar a falta de conhecimento e o não cumprimento pleno da lei como causas dessa infeliz realidade.
Sob esse viés, nota-se que o baixo contato da população com o problema da carência de acesso à higiene básica na menstruação é um agravamento do combate ao mesmo. Acerca disso, o termo “isonomia”, do filósofo grego Aristóteles, diz respeito à necessidade de se adequar às diferenças do próximo, para garantir mais justiça. Todavia, essa ideia não se concretiza no Brasil, no que diz respeito à pobreza menstrual, uma vez que a população carece de conhecimento acerca da situação. Assim, não se pensa em soluções e nem há combate contra a realidade em que se encontram tantas mulheres.
Ademais, a negligência estatal é outro fator que impede o fim da falta de acesso à condições dignas de higiene menstrual. Sobre esse ponto, além de existir a garantia de saúde na Constituição Federal, a mesma possui um sentido de permitir qualidade de vida, com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), na década de 1980. Entretanto, nenhuma dessas realidades ocorre no Brasil, já que não há aplicação de políticas públicas, o que piora o cenário e impede sua solução. E isso, pois, é dever do poder público garantir a saúde e o mesmo é o que mais possui recursos para acabar com a pobreza menstrual, mas não o faz.
Portanto, tendo em vista os desafios no combate à ausência de higiene pessoal de qualidade, na menstruação, o Ministério da Saúde, órgão do Poder Executivo responsável por essas questões em esfera nacional, deve tomar medidas. Por isso, o órgão deve criar uma campanha de distribuição de absorventes e remédio para cólicas em postos de saúde, junto com cartazes que devem explicar o direito das mulheres de viverem de forma adequada o ciclo menstrual. Com isso, a população tomará conhecimento e as leis serão cumpridas.