Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 02/09/2021
A filósofa alemã Hannah Arendt afirma que quando uma ação ocorre frequentemente e sem questionamentos, ela se torna banal para a sociedade. Tal concepção acontece com a pobreza menstrual no Brasil - uma triste realidade que já se tornou comum e possui diversos desafios para ser combatida. Esse cenário preocupante acontece devido à ineficiência educacional e também por causa das falhas do Poder Legislativo.
Nesse contexto, destaca-se a ineficiência educacional como um grande desafio. Isso acontece porque a maioria das escolas prioriza um sistema de ensino tecnicista, baseado na preparação de alunos para os vestibulares. Por causa disso, há uma carência de aulas e palestras que preparem os alunos e os funcionários para lidar com as situações de pobreza menstrual e que incentivem o respeito. A respeito disso, o ativista Nelson Mandela afirmava que a educação poderia ser a “arma mais poderosa” para mudar o mundo. No entanto, tal citação não é efetivada no Brasil, já que o sistema de ensino não consegue mudar a alarmante realidade social de muitas estudantes que não têm conhecimento de como resolver situações de menstruação em lugares públicos e não fornece apoio suficiente para elas.
Além disso, observa-se as falhas do Poder Legislativo como uma causa do problema. Esse fator ocorre pois muitos vereadores, responsáveis por representar os cidadãos, priorizam a resolução de problemas que tragam resultados de forma instantânea e que sejam bem vistos pela população. Em decorrência disso, vários deles não cumprem a obrigação de fiscalizar a situação de pobreza menstrual nas comunidades mais carentes e prestar auxílio às meninas, uma vez que é uma ação de resultados a longo prazo e que sofrem um grande estigma social pelos indivíduos. Consequentemente, milhões de meninas sofrem com pelo menos uma privação de higiene, diz a pesquisa da CNN Brasil, visto que não há apoio de forças maiores dos representantes legislativos de fiscalização sanitária.
Tornam-se imprescíndiveis, portanto, medidas para minimizar a ineficiência educacional e do Poder Legislativo. Para tanto, faz-se necessário que os vereadores implantem um projeto de fiscalização mensal nas comunidades carentes, a fim de fornecer absorventes para as meninas necessitadas. Ademais, o Ministério da Educação deve promover palestras e aulas que abordem formas de lidar com casos de meninas que precisem de assistência de higiene nas escolas e incentivo à colaboração. Tal ação deve acontecer por meio das escolas e plataformas digitais, como o YouTube e as redes sociais - que atingem um maior contingente de pessoas, a fim de atenuar os desafios no combate à pobreza menstrual. Assim, a tese de Mandela poderá ser efetivada na sociedade brasileira.
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