Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 24/09/2021

São Tomás de Aquino pregava que todas as pessoas devem ser tratadas com a mesma importância. No entanto, a questão da pobreza menstrual contraria a visão do filósofo, uma vez que, no Brasil, uma parte da população carece da atenção e do suporte minimamente necessários. Nesse contexto, em razão da negligência governamental e da falta de debate, emerge um problema complexo.

Convém ressaltar, a princípio, que a omissão estatal é uma causa latente neste caso. Segundo Thomas Hobbes, o Estado deve ter forte presença e garantir o bem-estar social. Entretanto, a inobservância de políticas públicas de assistência às pessoas que menstruam e carecem de condições econômicas suficientes para manter padrões de higiene íntimas ideais, demonstra o desamparo do governo para com o zelo do bem-estar dessas pessoas, agravando a situação da pobreza menstrual no país. Desse modo, mudanças drásticas são vitais para a resolução da problemática.

Além disso, outro grande obstáculo neste assunto é a falta de informação. Sob esse viés, Habermas traz uma contribuição ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Dessa forma, compreende-se que a lacuna no debate sobre as necessidades básicas de higiene pessoal para as pessoas que têm útero é um fator que sustenta os estigmas associados às conversas sobre menstruação, o que prejudica demasiadamente a parcela da sociedade que, sem uma rede de apoio, vive em condições precárias de trato pessoal, afetando inclusive suas rotinas nas escolas e nos locais de trabalho. Assim, trazer à pauta este tema e discuti-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.

Logo, vê-se que medidas estratégicas são essenciais para alterar a conjuntura atual. Portanto, o Governo Federal deve implementar programas de distribuição gratuita de kits básicos de higiene pessoal que contemplem pessoas que menstruam, por meio da aprovação, em sessão de caráter emergêncial, no Congresso, a fim de superar as dificuldades associadas à pobreza menstrual. Tal ação contará com debates nas escolas abertos à população, para conscientizar a sociedade brasileira sobre os cuidados essenciais de higiene e desmistificar a menstruação. Feito isso, será possível construir um Brasil em que todos são tratados com a mesma importância.