Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 03/09/2021

A pobreza menstrual é um problema que aflige inúmeras pessoas de terem acesso à higiene intima no período menstrual. No ano de 2014, a Organização das Nações Unidas (ONU) considerou o acesso a higiene menstrual uma questão de saúde pública e de direitos humanos. Contudo, o problema parece não ser de suma importância ao poder público, e os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil, ainda continuam.

Nesse sentido, a ONU ainda afirma que uma a cada quatro mulheres brasileiras já deixaram de ir à escola por conta da falta de absorventes. Afetando seu desenvolvimento acadêmico, pois elas perdem em média 45 dias do ano letivo, segundo levantamentos da consultoria Toluna. Do mesmo modo que o Estado promove a distribuição de preservativos sexuais, principalmente para evitar a contaminação de doenças sexualmente transmissíveis, também deveria distribuir absorventes gratuitos. Pois ter relações sexuais é uma escolha, menstruar não.

Conforme a senadora Zenaide Maia, um ciclo menstrual pode gerar em média um gasto de 30 reais por pessoa ao mês. Ela ainda destaca que, cerca de 13% da população no Brasil vive com menos de 246 reais por mês, tornando-se caro possuir os recursos básicos necessários para uma higiene menstrual digna. A situação descrita se assemelha a fala do escritor Mia Couto, que diz: ´´A desgraça de um país pobre é que ao invés de produzir riqueza, produz ricos´´. Somente pessoas com boas rendas mensais conseguem ter acesso a absorventes ou coletores menstruais, enquanto isso, quem não tem condições de adquirir os produtos, precisa usar de jornais ou folhas de arvores no lugar deles.       É evidente que, a ausência de informações sobre esse debate impede que a sociedade cobre criações de soluções para esse problema. Para isso, escolas públicas e particulares devem promover palestras com profissionais do assunto, que irão expor para meninos e meninas a importância ao combate da pobreza menstrual no Brasil. Tudo isso com o objetivo de mais pessoas ficarem informadas sobre o assunto, para que possam debater sobre isso e irem à luta pelos seus direitos.

Diante do exposto, o Senado afirma que já existem duas sugestões legislativas de leis que garantem o acesso de coletores íntimos menstruais ou absorventes gratuitos nos postos de saúde. Com isso, o Poder Executivo deve colocar essas sugestões em prática, fornecendo esses produtos aos estados, que irão distribui-los as cidades. Tudo isso com a finalidade de que pessoas que menstruam e que não tem condições financeiras adquirir os produtos, possam ir até os postinhos e adquiri-los. O projeto ainda afirma que, os tipos de coletores fornecidos devem ter um impacto ambiental leve. Essa situação deve ser de interesse público, para que os direitos humanos sejam aplicados na sociedade.