Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 03/09/2021
Conforme a Constituição Federal de 1988, todos os cidadãos têm direito à saúde pública de qualidade, o que inclui os serviços de higiene básica. Entretando, na realidade brasileira isso não se confirma, ao passo que milhares de meninas e mulheres convivem com a pobreza menstrual, sem ter acesso à absorventes e coletores menstruais. Diante disso, é necessário analisar os desafios por trás do combate à pobreza menstrual no Brasil, sejam eles econômicos ou educacionais.
A partir desse contexto, a desigualdade social no território brasileiro é um desafio ao combate da pobreza menstrual em que muitas pessoas com útero enfrentam. Dessa forma, o Brasil está na 10° posição no ranking de países mais desiguais do mundo, a partir do Índice de Gini, principal indicador da desigualde social, que compara as rendas médias da população, além da qualidade de vida. Sob essa análise, nota-se que parte da população vive com uma renda insuficiente para manter uma qualidade de vida aceitável e isso interfere no acesso dessa parcela à serviços essenciais como educação e saúde. Assim, para mulheres e meninas que estão nesse grupo, a pobreza menstrual é uma realidade indiscutível, haja vista que enfrentam péssimas condições de infraestrutura em casa, como falta de água encanada e tratamento de esgoto, aliado à uma assistência pública totalmente deficitária e condições insuficientes de renda também. A partir do exposto, é urgente a procura de novas medidas.
Aliado a essa questão, o tabu que ainda circula a mesntruação também se configura como um impasse ao combate da pobreza menstrual no Brasil. Sendo assim, segundo Nelson Mandela “a educação é a arma mais poderosa para salvar o mundo”. Seguindo essa lógica, a educação é um grande alicerce para modificar uma sociedade, levando conhecimento para a população. Não obstante, para o campo da menstruação feminina, ainda observa-se uma enorme deficiência em garantir a instrução adequada sobre esse período da vida de milhares de meninas e mulheres, ressaltando que não é algo impuro e sujo e sim um processo natural e que precisa de cuidados especiais. Desse modo, muitas pessoas com útero desamparadas ou com vergonha desse processo, o que influencia diretamente na procura por ajuda e os cuidados necessários. Destarte, é essencial mudanças frente à problemática.
Urge, portanto, que sociedade e estado encontrem soluções para a pobreza menstrual no Brasil. Logo, cabe ao Governo Federal realizar melhorias na infraestrutura de bairros periféricos e cidades no interior do país, com rede de água e esgoto tratados, por meio de parcerias público-privadas, a fim de garantir para a população feminina melhor qualidade de vida e saúde. Ademais, cabe ao Ministério da Educação fomentar debates que ensinem sobre a menstrução para crianças e adolescentes, além de disponibilizar absorventes nas escolas. Somente assim a premissa da Carta Magna será cumprida.