Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 03/09/2021

O documentário “Absorvendo o Tabu” retrata a persistência do estigma da menstruação na Índia rural. Na obra, são mostrados os desafios enfrentados por esse segmento do universo feminino, principalmente em áreas pobres e marginalizadas. Nesse âmbito, percebe-se a pobreza menstrual de ordem monetária e ideológica como um grande empecilho no avanço da saúde da mulher e da aceitação de sua identidade, não somente na Índia, mas também em outras nações, como é o caso do Brasil. Tal realidade nacional persiste por conta da falta de recursos financeiros e de informação, transformando uma situação natural em um problema social.

Em primeiro lugar, é importante destacar a carência de acesso a itens básicos de higiene como a principal razão do impasse. Sob tal ótica, segundo dados do IBGE, 13,5 milhões de brasileiros vivem na pobreza extrema, muitas vezes sem condições até mesmo de se alimentar corretamente. Dessa maneira, mulheres carentes não obtêm acesso a absorventes e coletores menstruais, fato que as impede de participar de ações e eventos da sociedade quando estão menstruadas devido à insegurança e à vergonha. Além disso, muitas utilizam miolo de pão e pedaços de jornal de forma improvisada, o que pode ocasionar infecções e doenças.

Para mais, outro aspecto importante a ser tratado é a censura atribuída ao assunto. Nesse viés, no passado e em algumas culturas atuais, o fluxo feminino é visto como uma impureza e é considerado algo errado. Por conseguinte, muitas jovens e adultas não se sentem à vontade para falar sobre o tema, o que as restringe de obter conhecimentos importantes, os quais as auxiliariam a desenvolver o autocuidado e o autoamor. Apesar disso, constata-se uma sociedade cada vez mais aberta e consciente. Nesse contexto, uma das maiores defensoras do feminismo foi Simone de Beauvoir, que publicou o livro “O Segundo Sexo”, no qual abordou sobre o apagamento de características femininas pelo corpo social, sendo a menstruação uma delas, e, assim, promoveu uma nova forma de pensar e auxiliou mulheres a se aceitarem.

Observa-se, portanto, que as raízes econômicas e sociais apresentadas reforçam a pobreza menstrual no Brasil e mostram que ser ao mesmo tempo mulher e pobre é resistir duas vezes mais. Destarte, é necessário que o Estado apoie esse gênero e garanta que suas necessidades sejam atendidas. Isso deve ser feito por meio de campanhas que sejam vinculadas na mídia e abordem a menstruação como algo normal e da distribuição gratuita de absorventes e coletores menstruais em postos de saúde, a fim de que o problema seja superado e a importância do sexo feminino seja reconhecida e respeitada.