Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 03/09/2021
Desde o final do século XlX, o absorvente íntimo já era comercializado pela Europa e chegou ao Brasil por volta da década de 40. Ao considerar esse fato histórico como dispositivo para fomentar a discussão sobre os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil, pode-se afirmar que mesmo após décadas do surgimento dessa tecnologia, muitas meninas e mulheres infelizmente não possuem acesso. Nesse sentido, não há dúvidas de que é preciso esclarecer o porquê esse item básico é tão importante, nem como analisar quais são os entraves para sua ampla distribuição.
A par dessa ideia, pode-se inferir que os absorventes propiciam uma liberdade para as pessoas que possuem útero ( homens trans, mulheres e meninas), uma vez que permite a essas pessoas continua- rem com suas rotinas. Além disso, a falta desse ítem de higiene pode acarretar problemas de saúde, já que esses cidadãos improvisam outras formas de conter a menstruação, como jornais, folhas e até miolo de pão. Nesse contexto, de acordo com dados obtidos pela ONU, no Brasil uma a cada 4 meninas faltam às aulas por não ter absorventes. Dessa forma, garantir absorventes para o público em situação de vúlnerabilidade econômica é essencial.
Ainda nessa linha de raciocínio, outra questão determinante é a falta de assistência por parte do Poder Público, uma vez que não é um assunto amplamente esclarecido, ademais, se trata de um gasto considerado elevado para os cofres públicos. Nesse cenário, segundo a Constituição Federal de 88, o artigo 196 garante o acesso à saúde como sendo dever do Estado. Diante disso, ofertar absorventes descartáveis todos os meses a esse público alvo pode-se tornar inviável, porém existem opções reutilizáveis, como o coletor, que tem um prazo de vida útil de até 5 anos. É preciso, então, esclarecer que existem outros meios do Governo Federal cumprir o artigo 196.
Portanto, tendo em vista os aspectos observados, salienta-se que algumas medidas primordiais são necessárias. Logo, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com os municípios, distribuir absorventes para as escolas, com o intuito de aumentar a frequência escolar entre as jovens em período escolar. Ademais, é dever do Ministério da Saúde disponibilizar nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e em regiões remotas coletores menstruais, com o objetivo de assegurar a saúde das pessoas com útero. Com tais atitudes, espera-se que a problemática seja atenuada.