Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 04/09/2021
A pobreza menstrual, que é um grande problema para muitas mulheres, tem se tornado mais conhecida e compartilhada nas mídias sociais atualmente. Ela pode ser definida como a falta de acesso à itens básicos de higiene pessoal durante o período de menstruação. Ainda que a ONU (Organização das Nações Unidas), em 2014, tenha definido como um direito humano o acesso à higiene menstrual, não é possível observar isso sendo garantido para todas as mulheres brasileiras, o que configura um grande impecilho ao bem-estar e à dignidade feminina. Logo, convém discutir e analisar os principais desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil, bem como apresentar uma possível medida.
Diante desse cenário, é possível notar como um grande desafio no combate à pobreza menstrual, a falta de informações e a estigmatização do assunto em questão, Por conta do Brasil ter sido formado por uma sociedade patriarcal e machista, assuntos e “problemas de mulherzinhas” como menstruação não são, até hoje, abordados publicamente, estudados pelos cidadãos e tratados com a seriedade que merecem, porque se tornaram um tabu. Entretanto, é inaceitável a perpetuação desse cenário no Brasil, visto que o país é signatária da Declaração dos Direitos Humanos (DCU), a qual garante o direito ao bem-estar, dignidade e saúde para todos, o que não pode ser cumprido enquanto houver falta de conhecimento e preconceitos sobre menstruação.
Além disso, pode-se destacar a falta de investimentos por parte do governo em saneamento básico e em políticas públicas para distribuição de itens básicos de higiene menstrual, como outro grandíssimo desafio a ser enfrentado no combate à pobreza menstrual. De acordo com o G1, 30% das meninas brasileiras vivem sem banheiro, chuveiro e saneamento básico em casa, o que dificulta, ou até mesmo impossibilita, a higiene adequada no período de menstruação. Ademais, mesmo com tantos projetos sobre políticas públicas aplicáveis a este assunto indo para a Câmara dos Deputados e Senadores - como os diversos projetos do grupo Girl Up - é muito raro ver a aprovação e aplicação deles, o que demonstra uma falta de compromisso e respeito por parte do governo, o que é inadmissível.
Destarte, compete ao governo, na figura do Ministério da Saúde e do Ministério dos Direitos Humanos, a criação de políticas públicas que possam garantir à todas as mulheres a distribuição mensal de kits contendo os itens de higiene menstrual juntamente com panfletos e livretos com informações a respeito da menstruação, para que esse tabu possa ser quebrado, garantindo os direitos assegurados na DCU de bem-estar e dignidade. Outrossim, devem também investir na construção de saneamento básico em todas as regiões do país, por meio de parcerias público-privadas. Espera-se, com isso, a erradicação da pobreza menstrual no Brasil e a normalização da menstruação.