Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 05/09/2021

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente é dever do poder público a garantia da saúde, entre outros direitos, aos menores de idade. No entanto, o cenário da pobreza menstrual no Brasil demonstra que o acesso à saúde e à higiene de milhões de indivíduos não se encontra integralmente efetivado, sendo isso consequência da baixa discussão escolar a respeito do tema e um agravante das disparidades sociais no país.

Em primeiro plano, cabe ressaltar o papel da educação na solução desse contexto. Dessa forma, de acordo com o célebre educador Paulo Freire, a educação deve ser capaz de tornar os indivíduos agentes de sua própria libertação, por meio de discussões e debates que promovam a conscientização. Nesse viés, a pouca abordagem do tema da menstruação na educação básica faz com que garotas sintam-se isoladas e constrangidas para requisitarem os itens de higiene como um direito a ser cumprido.

Outrossim, destaca-se a pobreza menstrual como um contexto que eleva as desigualdades da nação. Dessa maneira, de acordo com o Índice de GINI- medidor de desigualdades- o  Brasil encontra-se como uma das mais desiguais nações. Por conseguinte, espera-se que uma significativa parcela da população feminina ecnotre-se incapaz de adquirir itens como absorventes, fato que, associado ao estigma social, afasta-as da vida social e dos ambientes educacionais, conferindo menos mobilidade social às familias menos favorecidas, engredando a estagnação econômica.

Destarte, medidas são necessárias para apaziguar tal contexto. Logo, cabe ao Estado - junto dos órgãos de saúde pública- a promoção de ações que garantam o fim desse cenário por meio da inserção de debates a respeito do tema nas escolas - tendo relação com matérias como biologia e sociologia- e da providência de artigos de limpeza e higiene gratuitos à populações necessitadas, a fim de formar uma sociedade mais consciente das mazelas que afligem seus compatriotas.