Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 04/09/2021
Na Idade Média, a menstruação era caracterizada como algo ruim vindo das mulheres. Sob essa ótica, disfarçava-se o sangue (considerado venenoso) com a utilização de vestidos vermelhos, tendo em vista que, ainda não existiam os absorventes. No contexto brasileiro atual, a pobreza menstrual é uma realidade, isso é, devido a desigualdade social, meninas, mulheres e homens-trans não possuem condições financeiras de comprarem absorventes, assim como, o tabu em relação ao assunto, prejudica o conhecimento e as soluções para resolver a problemática.
Em primeira análise, a pandemia do corona vírus aumentou o desemprego no país. Com isso, não só aumentaram as dificuldades para comprar alimentos, mas também, itens de higiene pessoal. Ademais, a falta de chuveiro e banheiro em casa são contribuintes com a pobreza menstrual, já que, durante os ciclos, por exemplo, deixa-se de frequentar às escolas, prejudicando a aprendizagem. Outrossim, a menstruação é caso de saúde pública, se os absorventes existem para auxiliar às mulheres durante sua duração, todas deveriam ter acesso, independentemente da situação financeira em que se encontram. Contudo, a distribuição de absorventes, coletores, entre outros derivados, deve ser gratuita entre empresas, escolas e postos de saúde.
Em segunda análise, no curta-metragem exibido pela Netflix, “Absorvendo o Tabu” mulheres indianas são presenteadas com uma máquina para fabricarem absorventes e ganharem renda. No entanto, a falta de conhecimento de homens e mulheres sobre a menstruação, tem como resultado a vergonha de menstruar e falta de conhecimento sobre o assunto. É prudente apontar que, no Brasil, o tabu estabelecido pela sociedade prejudica que mulheres conheçam seus corpos desde cedo, entendendo o processo, e peçam ajuda quando não possuírem condições de cuidarem da saúde menstrual. Por conseguinte, falar sobre o tema com meninas e meninos é importante para a desmistificação, já que existem pais que não conversam com as filhas sobre o que realmente acontece, por vergonha ou desinformação (já que mulheres antigamente foram ensinadas que sangrar era algo ruim).
Portanto, o Ministério da Saúde deve tornar gratuito o uso dos absorventes (e derivados) através das escolas, postos de saúde, empresas públicas e privadas, para que todas tenham acesso e sintam-se confortáveis para estudar, trabalhar e realizar atividades do dia a dia. Em síntese, as escolas devem ensinar o processo do ciclo menstrual feminino tanto para meninas quanto para meninos, esclarecendo dúvidas e de maneira didática, para que deixe de ser um tabu na sociedade brasileira.