Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 13/10/2021

Na mitologia grega, Aquiles é um deus grego que fora banhado ainda bebê, em águas que o tornaram invulnerável. Sua única vulnerabilidade era o calcanhar, que não tocara a água milagrosa. Analogamente, o mito representa uma metáfora contemporânea da pobreza menstrual no Brasil, causada pela vulnerabilidade socioeconômica e pela desinformação de mulheres e meninas, ocasionando a evasão escolar de muitas delas. Portanto, é preciso analisar as causas desse problema para que sejam encontradas soluções exequíveis.

Em primeira análise, a pobreza menstrual é caracterizada pelo Unicef como a falta de acesso à itens básicos de higiene durante a menstruação. Tal mazela é considerada pela Organização das Nações Unidas desde 2014 uma questão de saúde pública e de direitos humanos, uma vez que submete parcela significativa da população ao uso de métodos nada higiênicos que substituam os absorventes, como miolos de pão e pedaços de pano. Assim, é preciso combater esta vulnerabilidade o quanto antes.

Em segunda análise, além de serem privadas do acesso à itens básicos de higiene, 25% das meninas de 12 a 19 anos, segundo a ONU, deixam de frequentar a escola por não ter absorventes. Dessa forma, a evasão escolar se torna uma das graves consequências da pobreza menstrual, que poderia ser evitada com o projeto de lei que institui o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, que visava a distribuição gratuita de absorventes, infelizmente vetado pelo Presidente da República em 2021.

Em suma, a pobreza menstrual causada pela vulnerabilidade socioeconômica e pela desinformação de mulheres e meninas brasileiras deve ser combatida. Urge que a família - primeiro núcleo de sociabilidade do indivíduo - o conscientize através do diálogo, a respeito da menstruação e suas necessidades, para que ele possa futuramente exigir do Estados políticas públicas que atendam tais necessidades de mulheres e meninas do país. Apenas assim, a médio e longo prazo, a pobreza menstrual deixará de ser uma vulnerabilidade da sociedade brasileira.