Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 07/09/2021
A puberdade nas mulheres vem acompanhada de mudanças, como por exemplo a primeira menstruação, a qual desencadeia, muitas vezes, situações vergonhosas e desconfortáveis para os jovens. Apesar desse processo ser natural, para uma minoria, é algo ainda mais delicado se tratando da falta de acesso a produtos de higiene ao menstruar, devido a uma vulnerabilidade social. Dessa forma, é preciso discutir sobre os desafios para combater essa pobreza menstrual no Brasil, como o tabu enraizado sobre o assunto e a inércia do Estado com as mulheres nessa situação.
Em primeira análise, cabe pontuar que a falta de visibilidade e informações sobre a menstruação podem contribuir erroneamente com a pobreza menstrual. Em uma live nas redes sociais, a dançarina Aline Riscado menstruou sem perceber e manchou sua calça com sangue, e mesmo sendo um processo natural do corpo, tal situação desencadeou comentários maldosos e virou notícia nos sites, retratando a forma com que a menstruação ainda é um assunto delicado. Tendo isso em vista, pode-se dizer que para quem está inserida na miséria menstrual, torna-se ainda mais complicado lidar com a vexação de pedidos de ajuda, passando por esse processo sozinha.
Ademais, convém analisar a em que as vítimas estão inseridas e as dificuldades enfrentadas devido ao descaso do governo. Embora a Constituição federal de 1988 garanta a todos cidadãos bem-estar e saúde, de certa maneira esse direito é negligenciado, tendo como base as mulheres em pobreza extrema e situações de rua sem os itens básicos de higiene e saneamento que garantem uma vida minimamente saudável . Nesses casos, essas pessoas abdicam de terem esses produtos, como absorventes e sabonetes, para priorizarem outras necessidades imediatas, no entanto cabe ao Estado fornecer o básico para elas que já são vítimas de outros fatos sociais.
Portanto, medidas são necessárias para minimizar a pobreza menstrual no Brasil. Para isso, urge que o governo federal forneça itens de higiene menstrual, tal como coletores menstruais que são reutilizáveis, em escolas públicas e postos UBS, por meio de campanhas de arrecadação e pelos cofres públicos, um fim de que as mulheres e meninas que inseridas na problemática têm seu bem-estar e saúde garantidas. Dessa forma, a pobreza menstrual será apenas uma lembrança ruim na história brasileira.