Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 06/09/2021
De acordo com a Constituição Federal de 1988, saúde e saneamento básico são direitos sociais que devem ser mantidos à população por intermédio do Estado. Contudo, essa não é a realidade encontrada no Brasil, uma vez que o número de pessoas que lidam diariamente com a pobreza menstrual está em constante aumento. Tal cenário advém da falta de acesso a metódos higiênicos e leva a diversas contaminações de saúde.
Em primeiro plano, é fulcral pontuar que a pouca democratização de itens de higiene para pessoas de baixa renda que menstruam, contribui para a perpetuação da pobreza mestrual. Manifesto disso, é o fato de que, segundo a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), cerca de 4 milhões de adolescentes não possuem acesso a cuidados menstruais, seja em casa ou na escola. Nesse viés, entende-se a inviabilidade do consumo de produtos como absorventes e coletores menstruais, que equivalem a quase 13% da renda mensal de famílias de classe baixa, quando apresentam apresentam apenas uma pessoa com essa necessidade.
Em segundo plano, é de suma importância compreender que a saúde pública é comprometida em razão da pobreza menstrual no Brasil. Em vista disso, quase um milhão de jovens que menstruam não possuem acesso à água tratada, conforme dados divulgados pela CNN, estando assim, mais suscetíveis a contaminação e propagação de doenças que possuem a higiene básica como profilaxia. Dessa maneira, há um maior gasto estatal voltado para o tratamento dessas doenças, que poderiam ser evitadas facilmente e com menor gasto.
Portanto, medidas são imperativas para a resolução das problemáticas. Logo, o Governo Federal, mais especificamente, o Ministério da Saúde, deve investir na democratização de materiais higiênicos por meio da distribuição de itens menstruais em postos de saúde, para que assim, todos tenham fácil acesso à higiene e saúde básica. Da mesma forma, o Estado, por meio das prefeituras, deve investir no saneamento básico. Assim, a realidade finalmente fará jus a Constituição.