Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 06/09/2021

A Agenda 2030 é formada por dezessete objetivos da Organização das Nações Unidas (ONU) para transformar o mundo. O décimo objetivo propõe a redução da desigualdade, proporcionando a todos indivíduos o cumprimento dos seus direitos. No entanto, hodiernamente, ao assimilar a meta do órgão mundial à realidade brasileira, é imperioso salientar que há o seu descumprimento em relação à distribuição pública de absorventes às mulheres devido ao não investimento governamental e à dificuldade de acesso a eles pelos cidadãos economicamente menos favoráveis. Por consequência, são necessárias medidas para reverter esses problemas.

Em primeira análise, a série “Orange Is The New Black” tem o enredo voltado ao cotidiano feminino na prisão. Em um episódio, as detentas sofreram com a escassez de coletores menstruais. Ao reclamarem com o diretor da instituição sobre a falta, foram informadas de que o abastecimento do mês ainda não tinha sido realizado por conta da redução monetária enviada pelo governo, forçando os administradores a diminuírem as despesas com os produtos de uso pessoal. Assim, ao assimilar a ficção à realidade, fica evidente que o não investimento governamental fomenta a pobreza menstrual, uma vez que dificulta o acesso das moças aos objetos íntimos.

Outrossim, na obra “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, a personagem Pombinha é uma humilde menina que mora em uma das casinhas de aluguel. Ao menstruar pela primeira vez, a jovem pergunta à mãe o que fazer para não manchar as roupas e ela aconselha a filha a pôr pedaços de panos, uma vez que os absorventes são caros e, por isso, o uso de tecidos seria a melhor solução pelo fato de ela não conseguir comprar na lojinha. Logo, ao analisar o aspecto mencionado, é necessário ressaltar que a condição econômica é um fator que estimula o não acesso universal a esses métodos higiênicos, dado que as mulheres com menos condições tendem a usar outra maneira de segurar o fluxo, recorrendo, como Pombinha, a pedaços de tecidos.

Desse modo, são necessárias ações capazes de mitigar essas problemáticas. Para tal, as escolas devem educar os alunos para a cidadania, por meio de palestras e grupos de integração, para que saibam sobre os seus benefícios, exigindo que o governo invista o dinheiro público nos seus corretos locais de atuação. Ademais, os governos municipais devem garantir aos seus cidadãos o cumprimento dos seus direitos, por intermédio da distribuição de absorventes em postos de saúde, a fim de que as mulheres, independentemente das suas condições econômicas, tenham acesso a eles. A partir dessas atitudes, o combate à pobreza menstrual terá êxito.