Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 19/11/2021
“Absorvendo o Tabu”, curta da plataforma de streaming “Netflix”, é um documentário que retrata as dificuldades de mulheres indianas de terem acesso a absorventes em uma sociedade que culturalmente estigmatiza a menstruação. De maneira análoga, o assunto é também tabu no Brasil, onde os desafios no combate à pobreza menstrual vão da falta de acesso a absorvente por presos e jovens à ausência de políticas públicas.
Primeiramente, é necessário ressaltar que a falta de acesso a absorventes por pessoas privadas de liberdade é um sintoma da exclusão de corpos com útero no que diz repeito ao direito à saúde. Segundo a jornalista Nana Queiroz, autora do livro “Presos que Menstruam”, todos os detentos recebem os mesmos itens de higiene, de modo a se desconsiderar as necessidades fisiológicas de quem menstrua.
Ademais, cabe salientar que a ausência de políticas públicas voltadas à falta de absorventes e similiares não afeta somente o sistema prisional, como também o Sistema Único de Saúde. Conforme determinado pelo Ministério da Saúde, postos distribuem preservativos para a prevenção ISTs. Todavia, ainda que sejam igualmente essenciais, itens menstruais não são distribuídos, apesar dos riscos de infecção que pessoas sofrem ao tentar conter o sangue utilizando itens impróprios para a função.
Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil são, portanto, frutos da exclusão sistêmica de pessoas com útero no que tange o direito à saúde, algo que é evidente tanto no sistema prisiona como no Sistema Único de Saúde, afetando toda a sociedade. Assim, a fim de que esses indivíduos não mais menstruem em condições insalubres, cabe ao Ministério da Saúde a efetivação de políticas públicas voltadas à distribuição de absorventes como itens essenciais em postos de saúde, escolas e prisões.