Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 07/09/2021

“O homem é a medida de todas as coisas.” Essa máxima, atribuída ao filósofo grego Protágoras, revela o protagonismo humano em que o indivíduo tem o poder de construir sua realidade e seus valores em sociedade. Nesse sentido, referente à pobreza menstrual no Brasil, ocorre uma intrínseca identificação com a frase do pensador, pois os diversos entraves em torno desse processo vitimizam todo o corpo social. Dessa forma, são inúmeros os desafios das mulheres brasileiras durante o período menstrual, majoritariamente às de baixa renda, o que advém da ausência de políticas públicas, no acesso a produtos básicos de higiene, como absorventes e coletores menstruais.

Em primeira análise, destaca-se o fato da menstruação ser um processo natural do ciclo reprodutivo feminino, começando na puberdade, - em média aos 13 anos - e encerrando em torno dos 50. Apesar de ser algo rotineiro, ocorrendo uma vez ao mês, o assunto ainda é um tabu para muitas pessoas cercadas de desinformação da importância da higiene menstrual, principalmente para 4 milhões de meninas, que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não possuem acesso a recursos mínimos como água, papel ou sabão. Sob essa ótica, a falta de absorventes afeta diretamente o desempenho escolar de muitas estudantes que deixam de fazer alguma atividade por problemas menstruais, e consequentemente faltam às aulas, ficando para trás nos trabalhos escolares. Logo, a pobreza menstrual tem um impacto muito negativo na confiança pessoal dessas jovens.

Ademais, a ausência de políticas públicas são um fator preponderante para a perpetuação das inúmeras inseguranças geradas pela pobreza menstrual. Nesse contexto, o filósofo Contratualista Jean Jacques Rousseau ressaltava que cabe ao Estado viabilizar ações que garantam o bem-estar de toda a população. No entanto, essa máxima se contrapõe com a realidade de muitas jovens, devido ao Estado não disponibilizar para a sociedade itens de higiene, como absorventes e coletores menstruais. Em virtude disso, muitas meninas recorrem a alternativas como papel higiênico, roupas velhas ou toalhas de papel, no dia a dia, o que podem causar desconfortos, inseguranças e estresse.

Portanto, faz-se necessária a realização de medidas que mitiguem o desafio. Assim, cabe o Ministério da Saúde, o papel primordial de disponibilizar nas escolas, nos postos de saúde e nos hospitais itens de higiene, -como absorventes-,  de modo que esses produtos ainda são vistos como cosméticos e artigos supérfluos, tendo em vista que muitas famílias brasileiras não dispõem de condições de comprar comida, por isso os absorventes e coletores menstruais ficam em segundo plano. Em suma, deve-se transmudar a realidade atual, para que  haja uma ampla mobilização, a fim de combater a pobreza menstrual no Brasil.