Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 07/09/2021

O escritor Luís Fernando Veríssimo uma vez disse: “No Brasil, o fundo do poço é apenas uma etapa”. Esse aforismo, embora possa parecer engraçado, é, infelizmente cada vez mais real, e se comprova com a constatação da pobreza menstrual. Isso acontece devido  à falta de  informação e a negligência governamental. Assim, faz-se necessário o debate da temática.

Em primeiro plano, evidência-se a ignorância generalizada no que diz respeito a menstruação. Como herança histórica social, desde a antiguidade, existe atualmente a falta de abordagem direta sobre  o assunto. Notamos isso, com as variações de nomenclatura do termo em diferentes regiões e culturas, tais como “chico” ou “lua” para se referir a esse processo natural do corpo feminino, o qual pode gerar medo e insegurança entre muitas brasileiras. Segundo uma pesquisa realizada pela ONU, no Brasil quatro em cada dez meninas já deixaram de ir a escola por estarem menstruadas e não saberem como se portar.

Paralelo a isso, a situação se agrava mais, visto que muitas mulheres não têm acesso a itens básicos de higiene. Absorventes, sabonetes e sanitários são considerados artigos de luxo por parte das pessoas que menstruam. Apesar de que saúde seja uma obrigação do Estado perante a nossa constituição, esse não engloba a realidade de milhões de mulheres.

Desse modo, é mister que medidas sejam tomadas para solucionar a problemática. Cabe ao Ministério da Educação e ao Ministério da Saúde, por meio de verbas governamentais tomarem devidas precauções. Promover nas escolas projetos que levem informação necessária do tema, tanto para meninos quanto meninas, desintegrando o tabu existente de atuais e futuras gerações. Por fim, os postos de saúde pública devem oferecer produtos de higiene, como absorventes e lenços umidecidos gratuitamente e de qualidade para os cidadãos, diminuindo a pobreza menstrual e tirando o País do “fundo do poço”.