Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 08/09/2021
A Constituição federal de 1988- documento júrido mais importante do país -prevê, em seu artigo 6°, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem e reverberado com ênfase na prática quando se observa a pobreza menstrual no Brasil , dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, muitas mulheres vêm sofrendo com problemas de saúde relacionados ao físico e pscicológio, tornando imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a pobreza menstrual. Nesse sentindo, tal problema vem permeando a sociedade e culminando em uma série de adversidades, principalmente na parcela mais pobre do Brasil, tais como: milhares de mulheres sem acesso ao item básico para passarem por esse período mensal, o absorvente, além disso a falta de acesso a itens de higiene e cuidado pessoal. Desse modo, é facilitado o aumento de problemas de saúde e infecções, colocando em risco a vida de muitas mulheres. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que as cidadãs desfrutem de seus direitos indispensáveis, como a saúde. Ademais, é fundamental apontar o tabu acerca da menstruação como impulsionador da pobreza menstrual no Brasil. É necessário pontuar que este problema não é causado apenas pelo não acesso ao itens básicos de higiene, mas também por certo preconceito e, até mesmo, vergonha de se falar sobre o assunto, principalmente, com meninas mais novas. Diante de tal exposto, é notório que esse problema gera desinformações e repúdio sobre a menstruação, constrangimento de várias jovens e, também, de mulheres adultas que desde de cedo são ensinadas a não falar e comentar sobre, sendo reprimidas a respeito disso e levadas a praticar esse mesmo hábito negativo com suas futuras filhas.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater os agentes da pobreza menstrual. Para isso,é imprescindível que instituições educacionais, juntamente com o Ministério da saúde, promovam campanhas de conscientização e palestras, que debatam abertamente para meninos e meninas sobre o ciclo menstrual, discutindo, principalmente, suas características e impotância. Tais ações promoveriam mais respeito e menos vergonha sobre o período de maior cuidado, na saúde, de uma jovem. Outrossim, o Ministério da saúde e o Governo federal devem investir e auxiliar na distribuição de absorventes e outros itens de cuidado pessoal gratuitamente em postos de saúde e outros pontos de acesso, para mulheres de regiões mais pobres. Além disso, promover melhorias na infraestrutura dessas regiões, garantindo o acesso ao saneamento básico e a saúde.